Bispo do Funchal desafia crismados do Curral das Freiras a anunciar Jesus como “caminho e ideal de felicidade”

Foto: Duarte Gomes

“É preciso lutar para viver no caminho do bem” e para ter “uma vida que é fonte de paz e de alegria”. Estas foram duas das ideias que D. António Carrilho deixou aos 17 jovens da comunidade paroquial do Curral das Freiras, que receberam o Sacramento da Confirmação, na manhã deste domingo dia 9 de Setembro.

No início da celebração dois jovens, falando precisamente em nome da comunidade paroquial e dos crismandos, agradeceram a presença do bispo do Funchal, lembrando que é sempre bom “receber o Pastor” e sublinhando que estão cientes que precisam “interiorizar tudo aquilo que aprendemos, para que a nossa fé cresça e possamos experimentar os frutos do Espírito Santo”.

A esta primeira manifestação de acolhimento, o prelado agradeceu referindo que o momento era de alegria e de festa, uma festa diferente, “pela marca que tem” para a vida dos que a recebem.

Coube depois ao Pe. Miguel Lira, pároco do Curral das Freiras, agradecer, também ele, a presença do bispo que é sempre motivo de festa para a comunidade, lembrando que “pode contar com as nossas orações e com a nossa amizade, para poder continuar a levar por diante este seu ministério”. Ao apresentar o grupo, o Pe. Lira sublinhou que todos eles frequentaram os 10 anos de catequese paroquial e que estavam preparados para receber “este dom de Deus e da sabedoria, para que, à luz do espírito, possam também tomar as verdadeiras decisões”. 

Na homilia D. António, agradeceu aos jovens por terem tomado esta decisão de quererem, “pelo sacramento do crisma, receber a luz e a força do Espírito Santo para os caminhos da vossa vida”. Uma “graça que não vai ficar esquecida depois da festa que hoje fazemos”, “mas com que cada um poderá e deverá contar ao longo da vida, seja qual for o caminho que se vier a abrir”. 

Depois de referir que, não há “duas vidas iguais” e que “há vidas mais fáceis e outras mais difíceis”, D. António sublinhou que o importante é que “cada um saiba guiar-se” e “saborear os momentos mais fáceis e que nos dão uma alegria especial”. 

Por isso, disse, foram precisos 10 anos de preparação, “para que cada um, com um bocadinho mais de consciência e melhor compreensão, possa realmente aproveitar mais este momento”. “No nosso tempo, precisamos, pelas circunstâncias concretas da vida, de estar mais preparados para a vida de hoje, e por isso mesmo tanto na escola, como na universidade, como na aprendizagem que podemos, e devemos fazer, do conhecimento de Jesus e da sua mensagem, essa aprendizagem tem de ser mais profunda do que há uns tempos atrás”, disse. Além disso, “é preciso ter um coração aberto e trazer para a vida essa mensagem”.

Referindo-se à palavra proclamada D. António, aludiu precisamente à primeira leitura, do profeta Ezequiel, em que se fala do desejo de Deus de “congregar a humanidade”, dando aos homens um coração e espírito novos e uma água purificadora. Do peito retira-se o coração de pedra, que é substituído por um que sente, e que nos torna mais sensíveis, altruístas e preocupados com os outros e a “dar o que está ao nosso alcance”.

Este coração novo, lembrou, “vem já da graça do Baptismo, como exigência, mas há-de ir crescendo e desenvolvendo-se em nós” precisamente porque “a graça dos sacramentos é para nos tornarmos discípulos de Jesus”, sua presença viva e ativa, seja qual for o caminho. É por isso que esta é a festa do envio: “Recebes hoje o dom, a graça de Deus, mas depois sois enviados a anunciar este caminho que a Igreja propõe como caminho e ideal de felicidade para as pessoas”.

Terminada a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados e aproveitou para os alertar para a necessidade de serem fortes e de não se deixarem arrastar, “por certos grupos”. Dirigiu-se depois aos pais e em especial aos padrinhos, a quem lembrou que, ao aceitarem o convite e ao colocarem a sua mão sobre o ombro do respetivo afilhado, assumiram responsabilidades, nomeadamente de os continuar a ajudar a levar por diante o compromisso assumido, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer momento e circunstância. 

Mesmo antes da bênção final o Pe. Miguel Lira voltou a agradecer a presença de D. António e a agradecer a todos os que “fizeram estes 10 anos de caminho”, nomeadamente os jovens, mas também os pais e catequistas. Referindo-se aos jovens em particular, com quem “aprendi muito”, disse ainda que todos eles têm “um coração bom” e “dons e talentos”, que podem e devem ser postos “ao serviço da Igreja, da escola, da sociedade, da família”. Por último o sacerdote agradeceu ao Marco Abreu, que está prestes a iniciar o seu último ano de seminário, pelo seu empenho nestes dias que esteve de férias, mas em que se dedicou à comunidade. 

Depois das recomendações habituais, nomeadamente para que os jovens “continuem a participar na missa de domingo” e para que “rezem todos os dias um bocadinho”, o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser “posto ao serviço de todos lá em casa”.