«A Igreja sem testemunho é apenas fumo»: Preparar o Sínodo

D.R.

No final da tarde de sábado – dia 11 de agosto – o Papa Francisco encontrou-se  com os jovens italianos vindos das dioceses do país. No Circo Máximo, em Roma, houve um grande momento de proximidade e de diálogo. 

“A Caravana da Esperança” levou a Roma jovens de 195 dioceses de Itália preparando, assim, o Sínodo dos Bispos do próximo mês de outubro que tratará da problemática dos jovens. O Papa foi acolhido no Circo Máximo com grande alegria e carinho e a rapariga que se dirigiu a Francisco para lhe dar as boas-vindas declarou: “Santo Padre, chegamos até aqui para lhe dizer que gostamos de si”.

A interação dos jovens com o Papa foi feita através de perguntas e respostas. Um verdadeiro momento de diálogo. Nessa troca de palavras e de inquietações, Francisco afirmou que “os sonhos não se compram”, e sublinhou que são “um dom de Deus, um dom que Deus semeia” no coração dos jovens.

O Santo Padre exortou os jovens a não terem medo de apostar no amor, não como uma lotaria, mas no amor que é fiel, que “faz crescer o outro”, no “amor fecundo” que é testemunho de vida, pois – disse o Papa – “a Igreja sem testemunho é apenas fumo”.

“Não deixeis de sonhar”, pediu o Papa.  E afirmou ainda que, desde a ressurreição de Jesus, “em todos os lugares onde a vida é oprimida, onde domina a violência, a guerra, a miséria, onde o homem é espezinhado e humilhado, acende-se a chama da esperança e da vida”.

Depois do diálogo teve lugar em Roma uma grande Vigília de Oração e durante toda a noite dezanove igrejas ficaram abertas para acolher os jovens que quisessem passar momentos de oração, adoração Eucarística, cultura e espiritualidade e celebrar o sacramento da Reconciliação.

No domingo – dia 12 de agosto – o encontro dos jovens com o Papa foi na Praça de S. Pedro onde foi celebrada uma Eucaristia presidida pelo Cardeal Gualtiero Basseti, Presidente da Conferência Episcopal Italiana e concelebrada por 120 bispos. O Santo Padre chegou mais tarde para a oração mariana do Angelus em que repetiu várias vezes: “É bom não fazer o mal, mas é mau não fazer o bem”. Uma frase que os jovens foram convidados a repetir e a testemunharem na sua vida, pois – assinalou o Papa – “o cristão não pode ser hipócrita: deve viver de maneira coerente. As promessas do Batismo têm dois aspetos: renúncia do mal e adesão ao bem” – afirmou Francisco.

Este encontro do Papa com os jovens italianos foi uma grande oportunidade de preparação do Sínodo dos Bispos de outubro. Sobre essa reunião magna dos bispos no Vaticano falou à reportagem do Vatican News o padre português João Pedro Bizarro que está a estudar em Roma e que há muitos anos trabalha com jovens. O padre Bizarro considera que o Papa Francisco vai surpreender durante o Sínodo. Eis o seu depoimento:

“Já estou habituado a que o nosso Papa nos surpreenda… E nesta perspetiva aguardo para ver o que é que vai dizer aos jovens. Os dias de hoje são de uma chamada de atenção à Igreja para nos dizer: Acordem para a vida! Não deixem que os jovens se dispersem por coisas que não lhes tragam a felicidade. Para isso, se calhar, vamos ter que os implicar mais na pastoral, mais em âmbitos de decisão da própria Igreja. O Papa vai-me surpreender certamente…”

“Há que perguntar aos jovens o que é que eles esperam da Igreja. Veremos se as respostas que os jovens nos dão, nos vão permitir torná-las na prática uma realidade concreta. Ou se ficam perdidas numa gaveta… Isso vai depender das diretrizes que o Papa der para a Igreja Universal e vai depender também das condições culturais e sociais dos diferentes pontos do mundo.”

“O Papa fala para nós como fala para a América do Sul, para o Médio Oriente, para a Ásia … a Igreja e os jovens vivem situações, muitas vezes, muito complicadas e gritantes. E depois depende dos bispos nas suas dioceses, e dos padres, que poderão dar maior ou menor espaço de manobra para que os jovens tenham uma palavra. Veremos… Não basta só a vontade do Papa. Vai depender da Igreja e do Espirito Santo que também faz milagres nestas coisas. E é ele que movimenta a Igreja se não estávamos mal.”