Bispo aos crismados de Santo Amaro: é preciso transpor as portas da Igreja e levar os valores lá para fora

Foram 35 os jovens que em Santo Amaro receberam o Sacramento da Confirmação.

Foto: Duarte Gomes

A Comunidade Paroquial de Santo Amaro acolheu, ao início da manhã de domingo, dia 24 de Junho, o bispo do Funchal que ali se deslocou para presidir à Eucaristia, durante a qual administrou o Sacramento da Confirmação a 34 jovens da paróquia, aos quais se juntou uma jovem da paróquia do Rosário.

A celebração começou com uma pequena coreografia, em que foram apresentados alguns símbolos que deram ainda mais sentido à Eucaristia, mas que serviu também para marcar o encerramento do ano catequético naquela comunidade paroquial.

Antes disso um jovem, em nome do grupo, agradeceu a presença do bispo diocesano, a quem disse que os jovens ali presentes esperavam, ao receber o Sacramento da Confirmação, ter a consciência do seu compromisso, do qual “a Igreja poderá usufruir”. E isto apesar de ter reconhecido que “os 10 anos de catequese não foram fáceis”, pois “a sociedade em profunda mudança e com falta de cultura religiosa, nos afeta diretamente”. Valeu-lhes, disse, “a persistência, o amor e a oração dos nossos pais e familiares, pároco e catequistas e da comunidade paroquial”. 

Em resposta, o prelado agradeceu as palavras de boas vindas e as palavras do jovem que, disse, “comprometem”. E comprometem não só os que iam ser crismados, mas “toda a comunidade que aqui se reúne, nesta ocasião”.

Coube depois ao pároco, Pe. Manuel Ramos, agradecer também a presença do bispo diocesano e dizer-lhe que o grupo de 13 rapazes e 22 raparigas, estava apto a receber o Sacramento da Confirmação. 

Na caminhada que fizeram, disse o sacerdote, especialmente na fase final da preparação, foram-lhes colocadas duas perguntas a propósito deste dia. Uma delas foi o que é que queriam dizer ao senhor bispo no dia do Crisma. Divididos por grupos, os jovens responderam, por exemplo, que pretendiam “continuar com a nossa vida cristã e seguir as nossas vocações, num futuro próximo, onde pretendemos ser felizes com a ajuda do Espírito Santo”, que “estes 10 anos de catequese não foram em vão”, que “cabe-nos a nós, a partir daqui, continuar esta caminhada e ser exemplo para as gerações futuras”. 

Outra pergunta foi: o que é que os jovens esperam da Igreja? Alguns responderam esperar “uma Igreja revolucionária, que estimule os seus fiéis”, outros “uma Igreja que nos torne cada vez melhores cristãos” e outros ainda que “as catequeses sejam mais dinâmicas”. Esta foi uma forma encontrada para, como pede o Papa Francisco, “escutar os jovens”, conforme explicou o Pe. Ramos, que aludiu ainda ao facto deste ser um ano em que temos um grupo de jovens mais pequeno, especialmente quando comparado com os 258, que já chegaram a ser crismados no mesmo dia. Todavia, disse, “o importante é procurarmos, apesar das dificuldades, a esperança e da semente que é colocada no coração e na vida de cada um”.

Tudo o que é preparação é bom

Já D. António Carrilho agradeceu as palavras de acolhimento, a apresentação do grupo feita pelo Pe. Ramos e a representação inicial. É que, disse, “nem só as palavras falam, os ritos e os gestos falam também, e aquilo que aqui se passou tornou a mensagem mais viva, mais comunicativa e mais participada”.

Referindo-se às perguntas e respostas dos jovens, o prelado disse que, embora a catequese possa ter “custado um bocadinho”, a verdade é que “tudo aquilo que fizermos para nos prepararmos bem para a vida, vale bem a pena”. Até porque, frisou, “o que está em causa é a alegria, a paz e a felicidade que queremos para a vida de cada um”. Assim sendo, “tudo aquilo que se puder fazer para nos prepararmos para não sermos abafados, nem afogados nas preocupações, nas dificuldades e nas exigências das ocupações do tempo” é importante.

D. António recuou ainda ao início da celebração, ao momento em que os jovens crismandos estavam unidos num abraço, para manifestar a sua esperança e desejo de que tal signifique “o compromisso de união e de serviço e de amizade para a vida” e até um exemplo para a Igreja. Não é que precisemos “andar sempre abraçados uns aos outros”, disse, mas “de coração temos de estar unidos uns com os outros, se queremos fazer alguma coisa e sentir alegria e felicidade”. Temos, disse, “de ter braços para saber acolher, ajudar e servir”. 

Todos temos uma missão

O bispo diocesano teve ainda uma palavra para com os catequistas que se disponibilizam, voluntária e gratuitamente, para “ajudar a anunciar a palavra de Jesus”. Agradeceu-lhes por esse “serviço fundamental” e por acreditarem que os ensinamentos que passam ajudam os jovens e a sociedade.

“Diz-se que hoje a nossa sociedade é uma sociedade na qual faltam muitos valores. Que há muita mentira, muita maledicência, muita calúnia, muita corrupção, muita violência”, frisou o bispo diocesano, para logo sublinhar que “o Evangelho de Jesus ensina caminhos de paz, de união, de fraternidade”. Se nós “apanhássemos esses valores”, as coisas seriam muito diferentes, disse D. António que frisou ainda que “esses valores não são só para viver dentro da Igreja, mas são valores para a nossa sociedade, para levar lá para fora.” E esse é também o compromisso do cristão: “transpor as portas da Igreja e proclamar os valores do Reino de Deus”.

Referindo-se à palavra proclamada, o bispo diocesano fez, entre outras, alusão ao facto da Igreja celebrar a solenidade do nascimento de São João Batista. Ele que nasceu com uma missão especial, como qualquer um de nós: “cada um de nós tem de sentir o seu próprio valor, reconhecer as suas qualidades, e disponibilizar-se. Sentir-se membro vivo e ativo, na família, num grupo, na comunidade paroquial, de mãos dadas e corações unidos”.

Com os 35 jovens crismados, D. António dirigiu-se aos pais e especialmente aos padrinhos, lembrando que os mesmos são “fiadores da fé” dos seus afilhados e têm a responsabilidade de os continuar a ajudar a seguir o compromisso assumido no Batismo e agora Confirmado, numa festa que “é hoje, mas é para a vida”.

A cada um dos crismados D. António Carrilho pediu ainda para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo. Pediu também para que se rezasse pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.

No final da celebração o bispo do Funchal ofereceu a cada crismado, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser lido por eles e posto ao serviço de todos lá em casa.