Núcleo regional da ALVD pode vir a apoiar emigrantes da Venezuela

A ideia foi avançada durante uma iniciativa sobre “Voluntariado internacional – Quebrando Fronteiras”, que teve lugar este sábado, dia 5 de maio.

Foto: Duarte Gomes

A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) considera que é preciso apoiar mais os emigrantes que regressam à Madeira, vindos da Venezuela. Dar acolhimento temporário e formação específica nalgumas áreas de trabalho, são algumas das ações que podem vir a ser desenvolvidas na Região pelo Núcleo da Madeira da Associação de Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD). 

A ideia foi lançada, este sábado, numa ação denominada “Voluntariado internacional – Quebrando Fronteiras”, que teve lugar na Escola Profissional Cristóvão Colombo, e foi referida pelo Pe. Ricardo Teixeira, coordenador do núcleo regional que, no entanto, defendeu a necessidade de se estudarem “formas muito concretas”, a fim de pôr em prática essas formas de ajuda.

Neste momento, são já mais de cinco mil os emigrantes que regressaram à Madeira e as previsões apontam para que esse número continue a subir, sobretudo depois das eleições naquele país.

Rui Marques, coordenador da PAR, e um dos oradores desta iniciativa da ALVD, lembra que Portugal tem uma dívida de gratidão para com a Venezuela e por essa mesma razão reforça esta ideia de que é preciso apoiar quem de lá chega, muitas vezes com uma mão à frente outra atrás.

“A PAR vai propor à sociedade civil portuguesa que se mobilize no apoio aos migrantes forçados da Venezuela para que possam também, em Portugal, encontrar um acolhimento e para que possamos mobilizar um apoio a esta situação”, frisou.

Embora haja outros “a quem apontar o dedo”, Rui Marques diz que a sociedade também não tem se mobilizado o suficiente para responder àqueles que, ainda assim reconhece serem “muitos desafios”. Uma coisa porém, é certa: “não podemos deixar só a Região Autónoma da Madeira essa responsabilidade, que é uma responsabilidade de todo o País”. Aliás, “creio que o Estado Português, no seu todo, pode e deve fazer mais e deve ser acompanhado pela sociedade civil que, por exemplo, na rede da PAR, são mais de 350 que estão disponíveis para acolher e precisamos de fazer mais e melhor já”, disse.

Este encontro trouxe também à Região o Pe. José Agostinho Sousa, Superior Provincial de Portugal dos Dehonianos (SCJ), que falou aos jornalistas sobre a ALVD e o núcleo da Madeira, referindo que se trata de uma associação que “nasceu em 1999 e está na Madeira desde 2005”. Durante este período “75 madeirenses já participaram das nossas atividades de formação, sendo que 43 deles foram mesmo em missão”. A grande maioria fê-lo por um período de um mês e 11 pelo período de um ano, ou mais. Até o ano passado essas missões tinham como destino Moçambique, mas atualmente “também estamos em Angola, Camarões, Equador e na Europa: Albânia e Sul da Itália”.

A Venezuela era outros dos locais da América Latina onde os voluntários Dehonianos gostariam também de atuar. Contudo a situação do país não o permite, com o provincial a admitir mesmo que “os próprios sacerdotes da nossa congregação que lá estão, muitos deles venezuelanos, não estão bem e não têm uma situação fácil”.