D. António recebeu jovem que vai em Missão Neocatecumenal para as Filipinas

D. António Carrilho recebeu esta segunda-feira, dia 26, na Cúria Diocesana, o Prof. João Cristiano Abreu, que se prepara para partir em missão, como itinerante do Caminho Neocatecumenal, para as Filipinas. “Estar em comunhão com o bispo da Diocese, antes da partida”, agendada para esta terça-feira, foi o principal objetivo deste encontro.

O jovem de 24 anos, que integra uma das comunidades Neocatecumenal do Estreito de Câmara de Lobos desde os 11 anos, vai fazer parte de um grupo que já se encontra nas Filipinas, composto por um casal italiano e um padre espanhol e ao qual estava a faltar um elemento.

Quanto ao tempo que durará a missão, o mesmo não está rigorosamente definido, conforme explicou ao Jornal da Madeira, o jovem formado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo. A missão, essa sim é que é muito concreta: “anunciar o evangelho”.

Sendo a sua primeira missão como itinerante, João Cristiano Abreu confessa que parte “cheio de medos e de receios”, mas também com confiança neste “chamamento de Deus”. De resto parte “Enviado em nome da Igreja Católica”, para desempenhar uma missão “através do carisma Neocatecumenal”.

O Caminho Neocatecumenal, definido pelo papa João Paulo II como “itinerário de formação cristã” (JOÃO PAULO II, 1990), é uma realidade eclesial dotada de personalidade jurídica pública e que tem como objetivo a iniciação cristã, antes do batismo, ou a redescoberta da iniciação cristã após um período de vida cristã de afastamento ou de vivência pouco ativa, rumo a uma fé adulta. A aprovação definitiva dos estatutos, que contemplam também as diferenças da liturgia e da catequese, foi dada pelo dec. de 11 de maio de 2008 do Conselho Pontifício para os Leigos, após uma aprovação provisória, ad experimentum, concedida cinco anos antes.

De acordo com o site “Aprender Madeira” o Caminho Neocatecumenal chegou à ilha em outubro de 1993, tendo-se formado a primeira comunidade na paróquia de Santa Maria Maior. Esta comunidade acabou por perder alguns elementos, sendo os restantes transferidos para uma outra, que entretanto se formou na paróquia da Graça, na freguesia de Santo António. Na Diocese do Funchal, existiam, em 2014, 15 comunidades neocatecumenais espalhadas por oito paróquias: no concelho do Funchal, duas na Nazaré, duas na Graça (Santo António) e uma no Livramento; no concelho de Câmara de Lobos, cinco no Estreito de Câmara de Lobos, uma no Garachico e uma no Carmo; no concelho da Ribeira Brava, uma em São Bento (Vila); no concelho de Santa Cruz, uma no Caniço; no concelho de Santana, uma em São Jorge. Os responsáveis de cada comunidade da Diocese do Funchal, escolhidos por eleição, dependem e são orientados por uma equipa de catequistas itinerantes que superintendem nas comunidades das regiões autónomas da Madeira e dos Açores e de Cabo Verde. Esta equipa está em contacto com os bispos das respetivas dioceses, com quem se reúne sempre que necessário para informar do decurso da atividade evangelizadora do Caminho Neocatecumenal.

O Caminho tem já proporcionado vocações sacerdotais e religiosas em Portugal e noutros países. Na Diocese do Funchal, esta experiência é partilhada por vários sacerdotes. Embora ainda restrito a poucas paróquias, maioritariamente localizadas na costa sul, o Caminho Neocatecumenal tem já trazido ao seio da Igreja, nesta diocese como em outras, pessoas que por uma ou outra razão viviam alheadas da sua fé cristã e os testemunhos que têm prestado publicamente revelam esse reencontro com a fé e uma maturidade e militância cristã que a elas próprias surpreendeu.

Equipa Itinerante das Filipinas

Em seguida publicamos um testemunho escrito pelo próprio punho do Prof. João Cristiano Abreu, em que este explica esta sua ida para outras paragens e que o próprio intitulou “A Paz”.

Chamo-me João Abreu, tenho 24 anos, e sou formado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, pela Universidade dos Açores. Estou no Caminho Neocatecumenal desde os meus 11 anos e pertenço à 2.ª comunidade da Paróquia do Estreito de Câmara de Lobos na Diocese do Funchal.

Começo por referir que verdadeiramente sou um pecador e um fraco. Nesta condição, é o Senhor quem leva toda a história, indo à nossa frente, tornando presente esta palavra: “Ele ressuscitou dos mortos e vos precede na Galileia. Lá o vereis” (Mt, 28, 7). Durante um convívio de itinerantes, em Porto S. Giorgio – Itália, fui enviado em missão para as Filipinas, completando, assim, a equipa de itinerantes desta nação que é constituída por um casal italiano e um padre espanhol. A disponibilidade para a missão apareceu nesta caminhada de iniciação cristã à fé adulta, sobretudo, como uma resposta agradecida ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim. Partir para as Filipinas não foi escolha minha e muito menos imposição de alguém, mas sim eleição do Senhor, que através do Espírito Santo me sorteou para esta grande nação.

Fundamentalmente, a missão dos itinerantes está assente no anúncio do Kerygma, a Boa Noticia, o amor de Deus e Cristo Ressuscitado que vem restaurar a vida de cada homem que, aceitando este anúncio de coração, vê a sua vida transformada, as suas feridas curadas e os seus medos derrotados, mas sempre no meio de tribulações.

 Tudo isto parece uma loucura: deixar pai, mãe, família, amigos, casa, conforto, trabalho, … deixar tudo e partir. Na verdade, esta missão acontece apoiado e enviado pela Igreja, pelo Bispo diocesano, pela minha paróquia, pela minha comunidade neocatecumenal e os meus catequistas, transportando nas mãos a cruz, a bíblia, o saltério e a experiência da fé, das vitórias do Senhor na minha vida no meio da precariedade. Não sei o que vou encontrar. Mas certamente que o Senhor já está lá e que já preparou tudo até ao último pormenor para que tudo concorra para o meu bem.

Quando se parte em missão, nunca se sabe quando é que ela acaba. Vamos apoiados na vontade do Senhor, que na nossa pequenez e miséria fará, certamente, brilhar a sua luz no meio da violência, dos sofrimentos e das mortes. Porque “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28).