D. António na Missa do Parto do Colégio: “festa exterior não deve ocultar ou fazer esquecer a razão mais íntima e mais profunda da nossa Festa”

O bispo diocesano deixou o repto aos presentes, e não só, para que preparem o Natal de modo a que ele tenha “uma marca íntima e profunda de um Natal verdadeiramente Cristão de um Natal de Fé, de Luz e de alegria e de esperança”.

© Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu, ao fim da tarde deste sábado, à primeira Missa do Parto na igreja do Colégio que foi, de resto e segundo disse o vigário geral, cónego Fiel de Sousa, pioneira nestas celebrações a esta hora, remontando às “décadas de 40/50, estas celebrações às 17 horas na reitoria da igreja do Colégio”.

Dirigindo-se aos muitos fiéis que enchiam o templo, D. António começou por falar do Advento e da importância desta caminhada que estamos a fazer domingo a domingo. Uma caminhada que é assinalada com o acender de uma vela, símbolo da “luz que vai sobressaindo e crescendo no coração de cada um de nós”.

Na homilia o prelado lembrou que as Missas do Parto correspondem às Novenas do Natal. “São 9 dias a recordar os 9 meses de gestação e todo o caminho da maternidade de Maria até que deu ao mudo o seu filho”. Mas são sobretudo 9 dias de preparação para a grande festa do “nascimento de Jesus no nosso coração”. Uma preparação que, disse, deve ser exterior “porque a festa exterior e a alegria são importantes”, mas não deve “ocultar ou fazer esquecer a razão mais íntima e mais profunda da nossa festa”. E nós, como cristãos, “temos que dar testemunho disso, no meio da nossa sociedade”, porque “há aspetos e valores que importa cultivar, que importa reconhecer e desenvolver”.

Referindo-se às leituras do dia, D. António salientou que “há duas palavras que ressaltam e que marcam este dia: a alegria e a luz. Isaías, na primeira leitura, fala da “alegria de antever, anunciar, comprometer-se”.

Já São Paulo, na segunda leitura, deixa um convite que é também um caminho. Ele diz “Irmãos vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias. Não apagueis o espírito. Procurai dar o valor a tudo aquilo que tem valor e libertai-vos de todo o mal.” Por outras palavras, “temos aqui um convite à alegria, mas ao mesmo tempo diz-se que a verdadeira alegria vem de dentro”. Assim sendo “temos de fazer o nosso exame de consciência e darmos passos de conversão”, até para que possamos “sentir mais viva a alegria deste tempo”.

No Evangelho temos João Batista, que se alegrou ao ver Jesus e ao encaminhar para Ele os seus discípulos. Ele que sabia que vinha para “dar testemunho da Luz”, mas que sabia também não ser a Luz. Com esta simbologia de Jesus que nasce para ser, Ele sim, a Luz que ilumina os homens, D. António terminou desejando que os presentes levassem desta cerimónia, “este apostar em viver na alegria, antecipando assim aquilo que queremos viver segundo o espírito litúrgico do Natal, mas continuando a caminhar iluminados por Maria, pelo seu testemunho, por aquilo que ela nos trouxe: a aurora da redenção”.

De referir que nesta eucaristia D. António teve ainda oportunidade de benzer, não só o presépio que se encontra na igreja, mas também as várias imagens que as pessoas levaram consigo, na sua maioria Meninos Jesus.

Finalmente e à semelhança do que acontece noutros locais, também ali a celebração foi seguida de um convívio, animado pelo grupo Madeira Despique Gente Antiga que, como vem sendo já tradição, abrilhanta os convívios que se realizam após as Missas do Parto celebradas em diversas paróquias madeirenses.