Searas também lembram a “Festa”

© Duarte Gomes

Associadas à quadra natalícia as searinhas de trigo, lentilha, milho, tremoços e grão surgem, sobretudo, nas zonas rurais, onde são colocadas junto dos oratórios e presépios erguidos em casa, nas capelas e igrejas. São oferecidas ao Menino Deus, com o pedido de boas colheitas.

Deitadas de molho no dia da Imaculada Conceição e à terra na primeira Missa do Parto, nas vésperas de Natal elas estão prontas para se armar a lapinha.

Dispõem-se, quase sempre sobre uma mesa coberta com uma toalha branca bordada ou de renda, várias caixas em degrau, forradas conforme o gosto, cobertas, igualmente, com paninhos brancos bordados.

No lugar mais alto dessa espécie de trono coloca-se a imagem do Deus Menino, com o seu arquinho de flores, e pelos degraus do trono dispersam-se as searinhas, alternadas com laranjas, tangerinas, castanhas e nozes, os pastores e os reis.

É verdade que se quisesse cumprir a tradição à risca, já devia ter as searas de molho. Mas é sabido que o corre-corre da vida nem sempre deixa espaço para tanto. Além do mais, diz quem sabe, que semeadas assim tão cedo as searas acabam por ficar muito grandes e obrigam a “algumas” tosquias, para que mantenham a forma.

Sendo assim, estamos em crer que ainda vai a tempo não só de comprar, como de semear o seu trigo, para o ter bem verdinho no dia em que nascer o Menino. E não se esqueça de ver, pela manhã, se as searas estão “serenadas”. Diz-se que se assim for, definitivamente a sorte vai bater à sua porta.