O secretariado diocesano de pastoral da diocese do Funchal organizou no Colégio Santa Teresinha mais uma edição da Jornada do Apostolado dos Leigos. Um dia de reflexão, desta feita em torno do tema do presente Ano Pastoral: Igreja Jovem com os Jovens.
O dia começou pelas 10h00 com a oração da manhã, seguida pela abertura dos trabalhos pelo bispo do Funchal, que começou precisamente por agradecer a todos quantos estiveram envolvidos na preparação desta jornada e por lembrar que este Ano Pastoral é dedicado aos jovens e é uma espécie de preparação para o Sínodo dos Bispos, que vai ter lugar em outubro do próximo ano. Este é, por isso mesmo, um tempo “de reflexão”, mas também de “planificação e resposta”, daquilo que é “o concreto da vida da igreja neste domínio da juventude e das vocações”. D. António Carrilho desejou ainda que a Jornada pudesse se mais um contributo para essa reflexão conjunta que é preciso fazer, sobre aquilo que é uma exigência e uma necessidade da Igreja de Deus, neste domínio também da ação pastoral”, e no “encontrar de caminhos da nossa vida eclesial, uma vida eclesial aberta, que seja resposta aos jovens, ajudando-os a ser felizes no encontro com Cristo”.
Seguiram-se duas intervenções do Pe. Nuno Tovar Lemos, uma sobre “o jovem rico do Evangelho e os nossos Jovens” e outra sobre “os desafios da Pastoral: Que fazer? Precisamos de Mudar?”.
Engenheiro de formação e padre jesuíta por vocação, o Pe. Nuno escreve livros, canta, toca viola, compõe música e escreve as suas próprias letras. Trabalhou anos a fio em centros universitários frequentados diariamente por inúmeros estudantes. É por esse motivo, e tantos outros, um conhecedor da realidade em que vivem muitos dos nossos jovens. Sabe que eles nasceram num mundo de “incertezas”, “plural”, “digital”, onde impera o “relativismo”, o “pragmatismo”, a “desconfiança”, onde não há abertura para a “novidade” e onde falta a “sinceridade”.
É por isso que, em declarações aos jornalistas, o Pe. Nuno Tovar Lemos resumiu as suas intervenções dizendo que mais do que falar em cativar”, que é uma palavra de que particularmente não gosta por parecer quase chamar para enganar”, quando “a fé cristã tem tudo o que há de fascinante”, o que é preciso é “deixar cair algumas coisas que já não são tão importantes para ficar com o essencial”. Usando palavras de um padre seu conhecido, formado em Marketing, “nós temos o produto” que todos querem, que é Jesus Cristo, mas apresentamo-lo que tal maneira que quando chega à hora de “comprar”, as pessoas e os jovens em particular dizem: disto não preciso, isto não interessa. Portanto, muitas vezes, o que está aqui em causa não é cativar, nem fazer “marketing”, no mau sentido da palavra, muitas vezes o desafio é sermos mais transparentes e mais verdadeiros naquilo que vivemos, naquilo que fazemos”.
Por outras palavras, “temos de ser mais nós mesmos, ter mais liberdade interior nalguns aspetos que ao longo dos anos se foram tornando muito importantes, mas que hoje em dia temos de deixar cair para nos abrirmos a coisas novas”. O Papa Francisco, sublinhou, “numa das suas exortações apostólicas, precisamente sobre a Igreja, diz a frase tantas vezes repetida “sempre se fez assim”, não serve como critério pastoral. E isto é verdade em relação às nossas famílias, às nossas escolas, ao Estado Português e é verdade de uma forma particular em relação à Igreja”. Assim sendo, “a Igreja tem que mudar para ser mais fiel ao essencial.” A fé, disse, “tem de deixar de ser um diamante embrulhado em papel de jornal, para o qual nós olhamos e dizemos: não tem valor nenhum”. Nós vivemos “num mundo onde as primeiras impressões contam muito e, neste caso, levam a pensar que lá dentro não está nada de interessante para mim e para a minha vida”. É isto também que é preciso mudar.
Após o almoço, seguiu-se um painel com tema “A Igreja Jovem com os Jovens”, em que foram intervenientes o Pe. Jorge Magalhães que falou sobre “os desafios do jovens à Igreja”; uma jovem universitária que deu o seu testemunho de jovem cristã; um dirigente do CNE que falou da educação da fé nos grupos juvenis”; e uma catequista que abordou a questão das “novas tecnologias na transmissão da fé”.
A Jornada Diocesana terminou pelas 16h00 com vésperas de Cristo Rei.
























