O Museu de Arte Sacra acolheu, na tarde desta sexta-feira, a primeira de quatro conferências dedicadas ao trabalho desenvolvido pelo padre Pita Ferreira, no âmbito do programa associado à exposição dos 500 anos da Dedicação da Sé, que se encontra patente neste espaço.
“O Pe. Pita Ferreira e a Educação Cristã na Madeira” foi o tema escolhido para a abertura deste ciclo de palestras, tendo como orador o Cónego Vítor Gomes.
Em declarações ao Jornal da Madeira, o Cónego Vitor começou por lembrar que o Pe. “Pita Ferreira escreveu, no anos 60, um livro sobre a Sé que continua, ainda hoje, a ser uma obra de referência para quem queira estudar a arquitetura, o património e a arte sacra da Sé”.
Foi também nos anos 60 que o sacerdote “escreveu uns manuais de iniciação catequética, dirigidos sobretudo às catequistas, para que pudessem preparar as catequeses com as crianças”. Foi, de resto, em 1960 que foi constituído o próprio Secretariado Diocesano da Catequese, com o Pe. Pita Ferreira a ser nomeado seu diretor.
Apesar do tempo que nos separa dessas publicações diz o Cónego Vitor que “há indicações ao nível da pedagogia, e até mesmo dos conteúdos que ele procurava sistematizar, que continuam atuais: há uma parte da apresentação da relação do homem com Deus, depois uma parte central que é Jesus Cristo e finalmente a parte da igreja: quem é a igreja e quem é a igreja para os cristãos”. Depois existem “muitas citações bíblicas, o que denota uma renovação da catequese, procurando incutir nas crianças esta capacidade de fixar citações bíblicas, para depois alimentar a meditação”.
Essas pequenas obras deixam, pois, ver toda “a sua preocupação pedagógica e a sua preocupação em transmitir da melhor forma o conteúdo da fé às crianças”. Além disso, escreveu também “pequenas Peças de Teatro, com objectivos pedagógicos também, que eram dirigidas aos escuteiros e a grupos de jovens, que tinham sempre associada essa preocupação instrutiva, algumas com temas ligados à própria história de Portugal, às missões, etc”.
Além disso “há pequenos fascículos ligados à catequese, “como O Mais Belo Presente da Primeira Comunhão, outro a explicar a missa às crianças e um outro em que ele traduz a missa do latim para o português o ritual da missa, que traduz a sua preocupação de difundir a um maior número de pessoas”. Focado foi também “um artigo publicado no Jornal da Madeira nos anos 40 e que é uma espécie de apresentação de uma conferência destinada às Conferências Vicentinas”. É um artigo que nos permite ”descobrir a sensibilidade evangélica e social do Pe. Pita Ferreira”.
A questão educativa e da religiosidade popular está também patente numa outra obra de que ele foi autor, neste caso “O Natal na Madeira”. Uma “recolha das tradições populares ligadas ao Natal”, publicada em 1956, que mostra a preocupação de valorizar a religiosidade popular.
A terminar, de referir que a próxima conferência está agendada para dia 18 de Dezembro, de novo entre as 15:30 e as 17 horas e que irá abordar precisamente o tema “O Padre Pita Ferreira, o Natal e a Etnografia Madeirense”, pelo Professor Doutor Jorge Freitas Branco.






















