Igreja do Colégio em destaque

A nossa proposta de hoje recai sobre a Igreja de São João Evangelista, vulgarmente conhecida por Igreja do Colégio. Na verdade não se pode  dissociar este templo do Colégio dos Jesuítas que, com ordem de  fundação datada de 1569, foi a maior edificação existente na ilha da  Madeira, durante séculos. Cenário da actividade de instituições  religiosas, militares e civis, o edifício do Colégio dos Jesuítas é  uma mistura arquitectónica resultante das reformas feitas por cada  ocupante, com vários pormenores de interesse e relativos a episódios da história portuguesa e mundial.

Mas vamos por partes. De acordo com o “Guia dos Monumentos do  Funchal”, com coordenação de Diva Freitas, “por diploma régio de 20 de Agosto de 1569 é permitida a fixação dos Jesuítas no Funchal e a  construção de um colégio e igreja cujas dependências deveriam tornar-se adequadas ao seu próprio alojamento à prática do ensino e ao  exercício das funções religiosas.”

O projeto inicial, diz-se nesta obra, “é desenhado pelo mestre das  obras reais Mateus Fernandes em 1574, mas acaba por sofrer inevitáveis reformulações pelos arquitectos e “principais” da Companhia residentes em Lisboa e em Roma, que assim redefinem o traçado final da construção  enquadrando-a nas diretrizes mestras dos projetos da Companhia de Jesus.”

As obras iniciam-se em 1599 e no final do mesmo ano encontra-se  levantada a ala poente do Colégio, sobre a Rua do Castanheiro. Em 1629  é lançada a primeira pedra da igreja, dedicada a São João Evangelista, que ao integrar-se no conjunto passa a ser denominada de Igreja do  Colégio.

“Em 1647, o templo, de desenho maneirista encontra-se erguido, no  entanto, devido ao caráter monumental e à exuberância do  empreendimento, os trabalhos de decoração prolongam-se pelo século XVI  e inícios do século XVII.”

Nesta última fase dos trabalhos, lê-se ainda no livro que temos vindo a citar “as composições barrocas ganham relevo  em detrimento das produções maneiritas e estendem-se também às várias  peças de talha dourada, à azuleijaria e à globalidade das pinturas do  teto da nave, despertando o cristão para uma atmosfera gloriosa e de  exaltação artística, correspondendo na sua essência à propagação do ideais da Igreja pós-trentina.”

Na sequência da ordem régia promulgada por D. José I, em 1759 os Jesuítas vêem decretada a sua expulsão de todos os domínios submetidos  à Coroa portuguesa, verificando-se, à semelhança do que acontece no  espaço nacional, o sequestro dos bens da companhia e, neste contexto, o encerramento do Colégio e da igreja logo após a saída dos últimos  jesuítas da ilha, a 16 de Julho de 1760.
Em 1787, “a Igreja de São João Evangelista é cedida, por decreto de D.  Maria I, ao Seminário Diocesano e, posteriormente, de 1807 a 1814  utilizada arbitrariamente na prática do culto anglicano pelas tropas britânicas aquarteladas nas dependências do Colégio, voltando a ser novamente encerrada após a saída desta guarnição por um longo período de 32 anos.”

Necessitando de grandes obras de recuperação, em 1846 o Governador Civil do Funchal, José Silvestre Ribeiro, “empreende uma oportuna   intervenção de salvaguarda e de restauro e devolve-a à Diocese em 1848 para ser novamente aberta ao serviço religioso.”

“Apontada como uma das mais belas igrejas edificadas nesta ilha, no decurso do século XVII, toda a sua grandiosidade e expressão no domínio da arquitetura maneirista revela-se indissociavelmente da  malha urbana da cidade. O frontespício é sublinhado por um alto  embasamento que se unifica às alas do Colégio, destacando no conjunto  as imagens em vulto dos principais fundadores da Companhia de Jesus.” No interior, “a sua extrutura alicerça-se na tipologia típica das  igrejas planificadas pelos jesuítas, que se organizam em função da
humildade espacial e do seu caráter funcional e monumental.”

Por todo o espaço salta à vista a riqueza da decoração e do cromatismo, tudo preenchido ao mais ínfimo pormenor. “A estrutura arquitetónica, os trabalhos de decoração das pinturas a fresco e a talha, executada  em meados do século XVII, denotam uma clara inspiração maneirista  enquanto que as produções mais tardias, nomeadamente as talhas das  capelas de Santo António e São Miguel Arcanjo, as esculturas  exteriores e os painéis de azulejos de desenho azul sobre fundo branco  do coro e nave, são resultado da influência barroca que irá dominar o  século XVIII.”

A sacristia, também de características jesuítas, “acompanha a riqueza  decorativa da igreja, sendo de salientar os seus armários de mármore embutido, recortados por composições de azulejos figurativos, e arcaz  barroco dotado com telas do século XVII e de princípios do século seguinte, alusivas aos principais Santos da Companhia.”