Funeral do Pe. Manuel Nóbrega: D. António recorda “o homem de fé, de ciência e cultura”

A Diocese do Funchal despediu-se ontem do padre Manuel Nóbrega, falecido aos 89 anos, na passada terça-feira. A missa exequial, de corpo presente, na igreja de São Martinho, foi presidida por D. António Carrilho e concelebrada por vários sacerdotes.

Na ocasião, o bispo do Funchal proferiu palavras de “homenagem” e “gratidão” ao “homem de fé, de ciência e cultura”, que foi o Pe. Manuel Nóbrega. Um homem que “nunca trabalhou para prémios, nem louvores”, mas que os conquistou, mostrando que não há “dificuldade de relação entre a fé e a ciência, a fé e a razão”.

Depois de sublinhar que o momento era “uma ocasião para nós padres e para a comunidade cristã, tomar consciência deste grande mistério de Deus que, em Cristo, estabelece uma ponte entre Deus e o homem” e vice-versa, salientou que o Pe. Manuel Nóbrega soube estabelecer essa ponte, “apesar das nossas limitações, das nossas dificuldades, problemas e, diria mesmo, dos nossos pecados”.

Do Pe. Manuel Nóbrega, disse D. António Carrilho, fica a “imagem de um sacerdote, homem de fé e de estudo, o contemplativo e amante da natureza e em particular da botânica”, do homem que “conhecia a Madeira como ninguém” e a quem chamavam “o grande naturalista da Madeira”. Do homem que se preocupava “não só com o religioso”, mas também com as “realidades humanas e sociais”. Além disso, fica também a sua“simplicidade” que a todos cativava.

Durante os seus 62 anos de ministério sacerdotal, o Pe. Nóbrega teve várias responsabilidades e passou por diversas paróquias, mas foi na quinta-grande, onde foi pároco durante 28 anos, que deixou uma “marca” que será para sempre lembrada: a construção do Santuário dedicado Nossa Sr.ª de Fátima, em que colocou todo o seu empenho.

Em 1992, a seu pedido e por motivos de saúde, foi dispensado das suas funções de pároco, mas continuou sempre a trabalhar, e a dedicar-se às atividades no campo da ciência, “sem criar ruídos à sua volta”, e sempre ao serviço da humanidade.

Após a celebração, em que participaram algumas entidades regionais, bem como um grupo significativo de pessoas que vieram do Curral das Freiras, freguesia de onde o Pe. Nóbrega era natural, seguiu-se o cortejo fúnebre para o cemitério de São Martinho.