Igreja de São Pedro está em destaque neste domingo

Hoje, neste nosso espaço, vamos dar-lhe a conhecer a Igreja de São Pedro. Inserida num dos três núcleos histórico do Funchal, a Igreja de São Pedro foi construída entre 1590 e 1596 com o propósito de ser sede da paróquia que, até então, se encontrava instalada na primitiva capela de São Paulo e São Pedro, localizada no fim da Rua da Carreira.

De acordo com aquilo que se pode ler no Guia dos Monumentos do Funchal, Projeto com a Direção Científica de Diva Freitas, “na segunda metade do século XVII, a igreja de São Pedro terá passado por importantes reformas e ampliações, datando de 1661 a edificação da capela do Santíssimo Sacramento, dirigida pelo mestre das obras reais Bartolomeu João, e de 1688 a 1690 as obras de beneficiação realizadas no exterior e interior”.

Mais tarde, entre os anos de 1737 e 1743 o templo terá sido beneficiado com profundos melhoramentos que, de resto, lhe conferiram o aspeto atual, obras essas que ficaram a cargo do mestre das obras reais de então, o capitão Diogo Filipe Garcês. Os trabalhos de maior vulto então realizados, “consistiram na montagem dos artísticos retábulos e painéis das paredes laterais da capela-mor e da capela do Santíssimo Sacramento, reproduzindo  uma imagem cénica puramente barroca e ainda na beneficiação do frontispício da igreja como hoje se encontra, definido por salientes cunhais de cantaria que enquadram um elaborado portal de linhas renascentistas, encimado por três janelas”.

Mas não foi só a igreja que foi beneficiada. A sacristia, por ordem do Conselho da Fazenda de 20 de Maio de 1747, também sofreu remodelações. Por mandado do dito conselho foi ordenada a realização do orçamento e arrematação da obra do vestuário e patim (lageado do adro).

Presentemente, pode ainda ler-se no Guia dos Monumentos do Funchal, “somos confrontados, no seu interior, com a riqueza decorativa das obras dos séculos XVII e XVIII, quer pela perfeição da talha dourada, quer pela harmonia cromática das pinturas e do revestimento azulejar eu recebeu durante o século XVII”.

O interior da igreja é decorado com azulejos do século XVII, que cobrem a quase a totalidade das paredes da nave, capela-mor e sacristia. “O arco Triunfal é encimado por um frontão em arco abatido com decoração alegórica alusiva a São Pedro e ladeado por dois altares colaterais dos finais do século XVIII, dedicados a Nossa Senhora da Candelária e a Santa Luzia”.

Quanto às imagens dos oragos dos altares surgem em “pequenos oratórios no banco do retábulo, sendo ambos os nichos do corpo central ocupados pelas imagens de Santo Inácio de Loyola e de Santo António respetivamente do século XVII.

No lado do Evangelho, lateralmente, surge a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, que em finais do século XVIII, terá passado por obras de melhoramento. “Denota-se uma  talha rococó, com notória ausência de exageros ornamentais do barroco, tendo intervindo na execução o mestre entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega e o pintor Nicolau Ferreira na realização da tela central, por volta de 1790”.

A beleza da Igreja de São Pedro é reconhecida por todos quantos a visitam sendo que, para além dos elementos a que já aqui fizemos referência, existe ainda um conjunto de pinturas, peças de ourivesaria e de mobiliário dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX sendo de salientar, neste caso particular, “o magnífico cadeiral datado de 1633 da antiga colegiada, que se encontra no coro alto. Trata-se de uma obra de inspiração renascentista e maneirista lavrado com composições em baixo-relevo onde se destacam animais exóticos, grifos e cartelas”.

Se depois de toda esta descrição, porventura se apercebeu que já esteve na igreja de São Pedro e não se deteve nestes pormenores, o que tem a fazer é aproveitar a centralidade deste templo para o redescobrir. E se tiver tempo, e vontade, suba a Calçada de Santa Clara e aprecie o magnífico trabalho em azulejos coloridos feito no cimo da torre sineira desta igreja, com o seu cata-vento.