Por Padre Fábio Ferreira
Neste XXIX domingo do Tempo, os cristãos são desafiados a desinstalarem-se dos seus lugares de conforto e, através da sua oração, partirem para o mundo para acompanhar tantos homens e mulheres, que deixando as suas terras, as suas famílias e os seus próprios sonhos, levam consigo a grande arma que vence o mundo que é Jesus Cristo. Hoje celebramos o dia mundial das missões, que este ano tem como lema: «A missão no coração da fé cristã».
A palavra «missão» suscita sempre um desassossego, na medida em que exige sempre fazer alguma coisa que tem de ser cumprido com sucesso. Para o cristão, a missão é anunciar Jesus Cristo em toda a parte. Muitos são os livros e os pensadores que falam sobre este assunto, mas muitos mais são aqueles que no seu dia-a-dia são um testemunho vivo de Jesus Cristo no trato com os outros, na forma como rezam, no seu seio familiar, nas ruas em que passam e alguns na audácia de deixar tudo para partir para outras terras. Ousar viver a missão é não ter medo ou vergonha daquele que para nós é causa da nossa maior alegria, mas pelo contrário procurar que Ele consiga entrar em tantos corações que andam desnorteados, perdidos, deprimidos, tristes e esquecidos. Já pensou que pode ser missionário na sua própria casa ou até mesmo no seu trabalho?
Na sua mensagem para o Dia Mundial das Missões, o Papa Francisco escreve: «A pessoa de Jesus e a Boa Nova proclamada por Ele continuam a fascinar muitos jovens». Jesus «fascina» porque o seu exemplo «faísca» dentro do coração de quem se deixa encontrar com Ele. Escutemos o Evangelho deste domingo: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas». Os seus adversários tremem diante de uma pessoa tão eloquente como Jesus, pois é sincero, verdadeiro, justo, misericordioso e aponta o caminho para Deus. Hoje, ser missionário, isto é, ser cristão tem de passar pela autenticidade para poder elevar os outros ao encontro com Deus. Não esqueçamos de saber escutar Jesus e imita-lo (sublinho esta palavra) em cada uma destas palavras que são apontadas pelo olhar de quem o observa.
No campo da missão da Igreja, os tempos atuais são difíceis e a fé parece que vai desvanecendo num mar de indiferença e muitas vezes apetece manifestar o grito de uma profunda angústia como aquele que se ouviu na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?». O que fazer perante esta situação? Cruzar os braços e acomodar-se ao calor de uma fé pessoal? Achar que o mundo esta perdido? Não! Não! Não! Podemos gritar como Cristo, mas continua aquele belo salmo da cruz (Salmo 22) e descobrir que Deus esta sempre contigo mesmo nestes momentos e que o «silêncio de Deus», que o mundo tanto apregoa, pode ser vencido pelo grito da fé, pois ela será sempre aquela acendalha que despertará a esperança quando não houver esperança, suscitará o amor quando pairar um indiferentismo, abrirá sempre caminhos que conduzirão até Deus. Como diz São Paulo: «Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé» (2 Tm 4, 7).
EVANGELHO Mt 22, 15-21
«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?». Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».
Palavra da salvação.





















