O núncio Apostólico em Portugal presidiu, ao fim da tarde desta terça-feira, à inauguração da Exposição ‘500 Anos da Dedicação da Sé do Funchal. Fé, Arte e Património. Um Olhar Sobre a Obra do Padre Pita Ferreira’ no Museu de Arte Sacra. Um evento em que estiveram também presentes D. António Carrilho, D. Maurílio Gouveia, Arcebispo Emérito de Évora e vários outros elementos do clero madeirense, bem como várias outras entidades regionais civis e militares.
Na oportunidade, e depois de agradecer o convite do bispo do Funchal para “presenciar e presidir a este acto”, D. Rino Passigato lembrou que estamos a “celebrar um evento e uma efeméride muito importante”. São, disse, “500 anos de uma igreja” e “não há Igreja sem bispo, porque a Igreja é construída sobre Jesus Cristo; Ele é a Pedra Angular sobre a qual está construída a Igreja, enquanto edifício físico, e como família dos filhos de Deus”. E cada um de nós, salientou, “tem a missão e a vocação de ser uma pedra e uma pedra viva” dessa Igreja.
Referindo-se ao percurso que acabara de fazer pelas várias salas de exposição, disse que o mesmo contém “recordações visíveis e imagens”, que nos remetem para o início da nossa fé e da nossa religião, que “tem a sua origem na encarnação de Jesus, Filho de Deus encarnado, feito homem no seio puríssimo de Maria Virgem, pelo Espírito Santo”. Imagens que, sublinhou, “não são ídolos” porque “o que nós veneramos é o que as imagens representam”, sendo que hoje, nos novos templos, o uso as imagens é cada vez menor, porque “já temos a capacidade de ler e interiorizar a Palavra e de aceder ao Mistério Cristão”. Seja como for, disse, é preciso “valorizar esse património, que herdamos dos nossos antepassados, que fizeram sacrifícios, trocaram o açúcar – o ouro branco – por estas belíssimas pinturas”. Mas temos também “de ser modernos e aprofundar a compreensão da mensagem cristã através da leitura, da meditação dos textos sagrados”, porque “o sábio do Evangelho é aquele que sabe tirar do seu tesouro coisas velhas e coisas novas” e este é “o meu voto: que ao celebrar os 500 anos da dedicação da Sé sejamos cristãos orgulhosos do nosso passado, mas ao mesmo tempo comprometidos com um maior entendimento do significado trazido à nossa vida da Palavra de Deus”.
Aproveitando a presença na cerimónia da pastora da Igreja Luterana na Madeira, o representante diplomático do Papa salientou a importância do diálogo e do entendimento sobre “como cada família cristã pode ter uma tradição diferente, mas caminhar para o mesmo objetivo: o encontro com Deus, através de Jesus Cristo que é o Caminho, a Verdade e a Vida”.
Instrumentos de Evangelização
Já João Henrique Silva, director do Museu de Arte Sacra, sublinhou que esta exposição constitui, para além da dimensão artística, “um ato celebrativo da grande efeméride: é a forma da instituição museológica assinalar a data em que, há 500 anos – 18 de Outubro de 1517 – a nossa catedral foi posta ao serviço do povo de Deus que forma a Igreja que está na Madeira, cátedra onde o bispo exerce o ministério de ensinar, transmitir a fé e celebrar os sacramentos”.
Além disso, “a presente exposição assinala, também, a passagem a 18 de Outubro – Dia de S. Lucas, padroeiro dos artistas – do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, que este ano decorre sob o lema Significados da Arte Cristã”.
Com esta exposição, acrescentou, o Museu de Arte Sacra vai ao encontro da palavra do Papa Francisco, que reconhece o importante papel do património religioso como “testemunho credível da beleza da criação” e “realiza também a sua vocação própria enquanto museu diocesano”, contribuído para reforçar as diretrizes da igreja no que toca ao património e à arte como Instrumentos de Evangelização.
Homenagem ao Pe. Pita Ferreira
A mostra agora inaugurada, que se desdobra em três núcleos e pode ser visitada até ao dia 31 de Março do próximo ano, a par de comemorar os 500 anos da Dedicação da Sé é também forma de reconhecer o contributo do Padre Pita Ferreira, falecido em 1963, no estudo e valorização do património religioso da Madeira.
A mesma conta com obras de arte sacra que já pertenciam ao acervo do museu e outras que foram trazidas de empréstimo da Sé do Funchal e de outros locais, sempre em relação com a obra escrita do padre Pita Ferreira e com a monografia da Sé do Funchal.
O primeiro núcleo ocupa sete salas, onde são apresentados elementos de arquivo documental e bibliográfico em diálogo com peças de relevo no âmbito da ourivesaria e escultura, privilegiando a relação da ourivesaria da Sé em diálogo com as esculturas que possuem adereços de prata, trazidas da Catedral para o efeito. “O camarim será dado a ver com outro enquadramento documental que permitirá aos visitantes compreender a funcionalidade deste grande trono móvel no interior da Sé e que hoje faz parte do museu, entre outras pontes que remetem, ainda, por exemplo, para a paramentaria da Sé, em reserva no museu, citada na monografia do Padre Pita Ferreira”.
Outras seis salas estão destinadas ao segundo núcleo, onde estão em regime de permuta com o Museu Nacional de Arte Antiga dez pinturas portuguesas da primeira metade do século XVI, atribuídas a Jorge Afonso, Garcia Fernandes, Gregório Lopes, Cristóvão de Figueiredo e o Mestre de 1549. “Neste andar sobressairá, assim, o tema da valorização da pintura Retabular e o gosto pela arte flamenga em Portugal entre o fim do século XV e XVI, com enfoque na evocação do retábulo da capela-mor da Sé do Funchal, que será posto em diálogo com as encomendas artísticas da época, nomeadamente a pintura flamenga, organizados desta feita, segundo os grandes temas da Catequese”, explicou Martinho Mendes
O terceiro núcleo é na torre-varante-mirante, a partir de onde a Sé será valorizada enquanto imóvel da paisagem da cidade. Lá o visitante poderá ver algumas fotografias do século XIX e inícios de XX onde Sé do Funchal com a catedral sob várias perspectivas. A partir deste núcleo será também aprofundado o conhecimento relativamente ao tempo, nomeadamente da pedra que foi usada para o erguer.
Durante o período de exposição, a sala 14 está convertida em sala de conferências, onde decorrerão várias iniciativas orientadas por quatro investigadores convidados.




















