Machico celebra festa do Senhor dos Milagres

D. António Carrilho preside hoje à procissão e Eucaristia, agendadas para as 20 e para as 21.30 horas, respectivamente.

É já esta segunda-feira, dia 9 de outubro, que a paróquia de Machico vai celebrar a festa do Senhor dos Milagres. Uma solenidade com caraterísticas muito próprias – não havendo fogo de artifício, enfeites luminosos, nem bandas – e cujo momento mais significativo acontece esta noite, com o trazer da imagem do Senhor dos Milagres da capela, onde permanece durante todo o ano, para a igreja matriz.

O início desta tradicional procissão está agendado para as 20 horas e, como sempre, serão os homens do mar que a vão encabeçar, com os seus archotes, estando também à sua responsabilidade o transporte da imagem. Mais tarde, pelas 21:30 horas, será celebrada a missa da vigília desta solenidade, sendo que tanto a procissão como a Missa serão presididas por D. António Carrilho.

A eucaristia que assinalará a festa, amanhã, dia 9 de outubro, terá início às 15 horas, seguindo-se depois a procissão que levará a imagem do Senhor dos Milagres de volta à sua capela.

 

A origem da devoção

A história religiosa e social de Machico ficou profundamente marcada pela aluvião de 9 de outubro de 1803, de tal modo que a preciosa imagem do Senhor dos Milagres, que se encontrava na capela com o mesmo nome, foi arrastada para o mar, no meio de uma grande tragédia que ceifou vidas e deixou a população sem os seus haveres.

Reza a história que três dias depois, “o seu Crucifixo perdido nas águas do mar, foi logo encontrado por uma galera americana que cruzava os mares da Madeira.” O vento, segundo se relata, impediu que aquela embarcação seguisse o seu destino. Então, os marinheiros americanos voltaram atrás e foram levar o Crucifixo à Sé do Funchal onde foi venerado.

Mais tarde, em 1813, após a reconstituição da capela destruída, fez-se a transladação desta imagem, para Machico, em forma de procissão onde ainda hoje se encontra.” Ficou a chamar-se capela do Senhor dos Milagres, nome que ainda se mantém.

A Festa do Senhor dos Milagres sempre se caraterizou pela sobriedade de motivos ornamentais, sem sinais de “arraial”, sem fogo de artifício, músicas ou outros enfeites. Apenas a devoção sobressai com a profunda fé dos milhares de fiéis que ali acorrem todos os anos.

Circunscreve-se a uma profunda e emocionante evocação histórica assinalada pela enorme procissão que, ao cair da noite de hoje, percorrerá as principais ruas da cidade de Machico. É formada por milhares de peregrinos provenientes, das várias freguesias da Madeira, que aqui vêm no cumprimento de promessas.

A maciça participação dos pescadores, com os seus archotes, demonstra o respeito e a devoção que também estes têm pelo Senhor dos Milagres, que continua a ser uma das grandes festas da Paróquia de Machico.