Hoje vamos dar a conhecer aos nossos leitores um pouco da história da paróquia da Calheta e da sua sede. A escolha dá-se porque, neste domingo, tem lugar a festa em honra de Nossa Senhora dos Bons Caminhos. Embora a sua Imagem permaneça, durante o ano, num nicho no edifício da Câmara Municipal, hoje a mesma encontra-se na igreja matriz para onde foi levada, ontem, em procissão.
Diz António Marinho Matos no seu livro sobre o Arciprestado da Calheta – Envangelização, Devoção e Património Cultural (Subsídios para a história das suas paróquias) que a “paróquia da Calheta foi das primeiras a ser criada na Ilha da Madeira, talvez por volta de 1430”, com orago dedicado ao Divino Espírito Santo”. Terá tido a sua sede primitiva na capela de Nossa Senhora da Estrela, no Lombo da Estrela, edificada por Diogo Cabral e sua mulher Beatriz Gonçalves da Câmara, filha de Zarco. Nessa altura, contaria a paróquia da Calheta “1913 almas”.
Posteriormente, a sede passou para uma nova igreja construída na Vila. Desconhece-se, contudo, o ano da sua construção. Sabe-se apenas que esta igreja foi reconstruída em 1639, data gravada na pedra do púlpito. No entanto, “é provável que a sua construção date dos finais do séc. XV ou inícios do séc. XVI.”
A matriz da Calheta, diz António Marinho Matos, “é um imponente monumento arquitetónico que muito valoriza o património cultural edificado da Diocese do Funchal, autêntica jóia de sua coroa”.
Destaque-se, em primeiro lugar, o trabalhado teto em estilo “mudajar” ou mourisco, igual ao da Sé do Funchal. Guarda também um sacrário trabalhado em ébano com primorosas incrustações de prata, que se diz ser oferta do Rei D. Manuel à sua “amada Vila Nova da Calheta”, juntamente com a cruz processional do altar-mor de estilo manuelino.
Existem ainda outras peças ourivesaria sacra que se destacam neste templo. São os casos das varas do Pálio, lanternas, caldeirinha, castiçais, lampadários de canas em prata, salva do Espírito Santo, entre outras.
No que concerne às pinturas a igreja possui, na capela do Santíssimo, uma pintura a óleo, que nos mostra a Imaculada Conceição, tem ainda dois painéis laterais (réplicas, cujos os originais encontram-se no Museu de Arte Sacra no Funchal), na capela-mor, de um tríptico flamengo do séc. XVI, pintura a óleo sobre madeira de cedro representado o Anjo e a Virgem da Anunciação, destaca-se também uma pintura alusiva à descida do Espírito Santo.
Em termos de escultura é de salientar um conjunto da “Última Ceia” em corpo inteiro (restaurado) dos fins do séc. XVII, nossa Senhora do Carmo, séc. XVII, Santa Ana, séc. XVIII, Santo António, Senhora do Rosário, São Roque. Na azulejaria, realça-se um grupo de quatro azulejos de padrão maçaroca, situados na parede sob o púlpito e outro dispersos no chão da capela do Santíssimo Sacramento, e nas paredes laterais da capela-mor encontram-se estampados azulejos portugueses dos finais do séc. XVIII.
Anualmente, têm lugar três grandes festas nesta paróquia: a do padroeiro Espírito Santo, no Domingo de Pentecostes; o Santíssimo Sacramento e a Festa de Nossa Senhora dos Bons Caminhos, no último domingo de setembro.
É digna de visita esta igreja matriz da Vila da Calheta, que se encontra, segundo os serviços de cartório, aberta ao público de terça a domingo, no horário das 10 às 13 horas, e das 15 às 18 horas, tendo uma funcionária para acolhimento e vigilância, destacada pela Câmara Municipal da Calheta.




















