Opinião: Encerramento da casa de Santa Zita no Funchal – Deixou rasto

Opinião

Peregrinação da Obra de Santa Zita (Funchal) à Irlanda, entre 10 e 17 de Setembro

Casal Fernanda e Alcindo de Freitas

A notícia chegou. Foi transmitida, suavemente, à Família Blasiana e aos amigos: A Direção Geral viu-se forçado a encerrar a casa de Santa Zita no Funchal, consequência dos nossos tempos, que são sempre tempos novos a nos exigirem atenção e adaptação a diferentes realidades.

Primeiro o choque, depois a compreensão e, naturalmente, a aceitação.

Um choque, porque nos entristece ver fechar uma casa que, desde 1988, tinha nas Cooperadoras da Família, entre tantos outros valores, uma porta aberta, a emanação da alegria, o testemunho da Fé, a comunicação e a prática da Palavra, o acolhimento dos mais necessitados, e acima de tudo a fidelidade ao carisma do seu fundador, Monsenhor Joaquim Alves Brás, de que “o importante é a família”, pelo que tudo deve ser feito para bem das famílias.

A compreensão, porque percebemos como terá sido difícil tomar esta decisão. Tanto mais num momento em que a instituição familiar precisa de muito apoio para enfrentar os inúmeros ataques e revezes de que tem sido alvo nos anos mais recentes. Reconhecer, hoje, a família como célula fundamental da sociedade é algo que se encontra afastado de muitos dos centros de decisão e comando, situação que se revela em quase todo o mundo. Desconstruindo a família, e eliminando a assunção de verdadeiros valores humanos e cristãos, mais difícil também se torna o nascimento de verdadeiras vocações de entrega total ao serviço de Deus e dos irmãos.

A aceitação, por ser essa a Vontade de Deus, e porque o tempo que vivemos também é o Seu tempo. Como tal, é-nos exigido manter a Fé, acreditar nos Seus desígnios e, cada vez mais, darmos testemunho pessoal e familiar, para fazermos valer os valores em que acreditamos, no sA escassez de vocações o envelhecimento, a doença e morte de varias Cooperadoras da Família, forçou o Conselho geral a tomar uma decisão, contra a sua vontade, de fechar aqui na Madeira a Casa de Santa Zita.

O facto de encerrar a casa no Funchal, não quer dizer que encerrem as atividades, pois ficarão os seus continuadores. As Associadas da Obra de Santa Zita, O Movimento por um Lar Cristão, o Grupo das Mensageiras da Família, o Grupo dos jovens Focos de Esperança, o grupo das Famílias que recebem em suas casas a Sagrada Família

A porta aberta, igreja em saída, atenção às periferias, a alegria cristã, prática das muitas Cooperadoras da Família que habitaram entre nós, não nos deixarão. Podemos manifestar a nossa alegria, pois a Família Blasiana continuará presente . Em conjunto e em unidade será possível ultrapassar e vencer dificuldades. Bendigamos ao Senhor pelos meios que coloca ao nosso dispor para vencermos a distância e o isolamento de outros tempos.

Dias antes do encerramento da casa, foi-nos proporcionada a possibilidade de peregrinar pela Irlanda, entre 10 e 17 de Setembro. Começamos a peregrinação com uma visita e participação nas atividades do Santuário de N. Sr.ª do Rosário de Fátima, continuando, no dia seguinte, com as visitas a várias catedrais irlandesas e outros locais de interesse histórico e religioso. A participação na Missa e a oração de Laudes, Vésperas e do Rosário foram vividas pelos participantes. A festa também é oração da vida, tendo-se vivido sempre em ambiente de bom convívio, acompanhados na despedida pela música e folclore irlandês.

Não podemos escamotear que a partida das Cooperadoras da Família do Funchal deixa a Diocese mais pobre. Faltarão sorrisos e música, abraços verdadeiros e palavras oportunas. Mas não faltarão, com certeza, as suas orações, o seu apoio e a sua disponibilidade permanente para todos os membros, familiares e amigos da Família Blasiana do Funchal.

Às Cooperadoras que agora nos deixam votos das melhores bênçãos do nosso Pai do Céu na nova Missão, e um até breve.