Bispo do Funchal diz que obras no Museu de Arte Sacra valorizam a sua oferta

A Torre-varanda-mirante, que até agora não fazia parte do roteiro de visita do museu, vai passar a fazer constituindo mais uma oferta do espaço

O bispo do Funchal inaugurou, ao fim da tarde de quarta-feira, a Torre-varanda-mirante do edifício do Museu de Arte Sacra do Funchal. Na oportunidade D. António Carrilho, congratulou-se com as obras efetuadas, as quais vêm “valorizar a oferta do museu àqueles que nos visitam, abrindo a sua visibilidade para o exterior, como também novas possibilidades internas, na medida em que, com mais duas salas para atividades educativas e exposições temporárias”.

Estas obras, disse o prelado, surgem numa época em que “queremos que o museu se vá, cada vez mais, afirmando na nossa sociedade” e a verdade é que “isso vai acontecendo, com iniciativas que são simples, mas que são pequenos passos que se dão”.

A Torre-varanda-mirante, explicou por Sua vez o diretor do museu, foi alvo de uma recuperação “no que respeita às cantarias, às ferragens, mas sobretudo ao painel de azulejos do século XVIII, que é uma preciosidade e que enriquece este edifício classificado como monumento nacional”.

João Henrique Silva adiantou ainda que a intervenção de conservação e restauro também se estendeu ao interior do museu, em duas salas, respetivamente em “tudo o que respeita ao chão e carpintarias, de modo a torná-las também adequadas a atividades que vamos desenvolver no que respeita a serviços educativos e exposições temporárias”.

Em termos globais, as obras custaram cerca de 21 mil euros, realizados ao abrigo da lei do Mecenato, com o apoio de um donativo individual, oferecido por um emigrante, Ferdinando Abreu Fernandes. Um dia, contou o próprio ao Jornal da Madeira, depois de um almoço com “ex-colegas do seminário, entre os quais João Henrique”, visitou aquele espaço e ficou maravilhado, mas também sensibilizado para a necessidade então manifestada do mesmo ser recuperado e aberto ao público, constituído “mais uma oferta do museu”. Não pensou muito até manifestar o seu desejo de contribuir para que os trabalhos pudessem concretizar-se. Foi, pois, “com muita alegria” que viu o “resultado final”.

O diretor do museu lembrou exatamente que, foi há quase um ano, a 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, que assinalaram como “prioridade fazer a recuperação deste espaço durante o ano de 2017, para vir enriquecer a oferta disponível do Museu”. E foi isso que aconteceu, congratulou-se, já que “a Torre, até agora, não fazia parte do roteiro de visita do museu e vai passar a fazer”.

João Henrique Silva adiantou ainda que estão agora a adaptar e preparar dois espaços deste museu, que “precisa passar por uma revisão de alguns espaços e depois da sua museografia” para acolher a “Exposição dos 500 anos da Dedicação”, que será inaugurada no dia 17 de outubro.

A intervenção

Em relação aos trabalhos que foram levados a cabo na Torre-varanda-mirante entre maio e junho de 2017 decorreu a intervenção de conservação e restauro do conjunto azulejar do século XVIII, atribuído a uma oficina de Lisboa.

Os trabalhos, que duraram aproximadamente dois meses, tiveram como objetivo promover a estabilidade física e química dos materiais constituintes dos painéis azulejares, travando os processos de degradação existentes e, do ponto de vista estético, a implementação de soluções em concordância com as suas características, localização e função.

A intervenção de conservação e restauro do painel de azulejos foi da responsabilidade da empresa Nova Conservação, Lda., que contou com uma equipa de profissionais com formação superior em conservação e restauro na área em questão, dirigida pelo conservador-restaurador Nuno Proença.

A Torre e o Painel: caraterísticas

A Torre-varanda-mirante, dotada normalmente de um monóculo, é um espaço arquitetónico típico dos palacetes urbanos madeirenses do séc. XVIII, destinado inicialmente à observação dos navios que entravam e saíam da baía do Funchal. Inspirado nesta tipologia, a Torre do edifício do Museu de Arte Sacra foi essencialmente um espaço vocacionado para o repouso e contemplação da paisagem, pelos bispos que por ali viveram até finais do séc. XIX.

Após a destruição do paço episcopal primitivo (séc. XVIII), pelo terremoto de 1748, esta torre foi erigida no novo edifício em 1750. A campanha foi entregue a Domingos Rodrigues Martins, mestre das obras reais, por D. João (I) do Nascimento, então Bispo do Funchal.

Na varanda pode-se observar o painel azulejar azul e branco, típico do período de produção das Oficinas de Lisboa do 2º quartel do séc. XVIII, surgindo aqui a representação alegórica das três Virtudes Teologais: Fé, Esperança e Caridade.

As Virtudes designam-se de “teologais” quando têm o seu fundamento em Deus, sendo por Ele infundidas na alma. Representam a ideia de força para a prática do bem pelo ser humano, com orientação a Deus.