Paróquia do Caniçal em destaque

Desde o início da colonização que as terras do Caniçal nunca foram desprezadas. Diz-se que formavam a coutada mais importante da Madeira, onde ia montear João Teixeira, terceiro filho de Tristão Teixeira.

A esta coutada famosa se refere Gaspar Frutuoso, nas Saudades da Terra: “era de tanta caça de coelho, perdizes, pavões e muitos porcos javalis, que se afirma que era a melhor coutada de todo o Portugal.

Não faltava a água naquelas terras, pois que, logo nos primeiros tempos do seu povoamento, “para se regarem canas-de-açúcar nesta vila (Machico) e para o Caniçal se tirou uma levada de tão longe que do lugar onde nasce, até á vila serão quatro léguas e meia…”.

O primeiro lugar habitado na região da Ponta de São Lourenço foi, então, o sítio do Caniçal. O seu isolamento e dificuldades de comunicações com as povoações vizinhas, mais ainda do que o número dos seus moradores, aconselharam a criação da paróquia, o que se deu pelos anos de 1561.

Foi na capela de São Sebastião, fundada por Garcia Moniz, senhor do Caniçal, que se instalou a sede da nova paróquia. Data de 12 de setembro de 1564 o primeiro alvará de acrescentamento da côngrua do vigário desta freguesia. Nessa altura, o Alvará régio “fixou em 14.300 réis o vencimento anual do pároco, que foi respetivamente aumentado pelos alvarás de 24 de novembro de 1572, 10 de setembro de 1589, 22 de outubro de 1592 e 31 de agosto de 1609, ficando então anualmente a usufruir de 24.000 réis em dinheiro, um moio de trigo e uma pipa de vinho, o que em atenção à população, constituía um ordenado superior ao de outros vigários, o que se justificava pela pobreza e isolamento do lugar”.

Sabemos ainda que “no período decorrido de 1590 a 1660 foram párocos nesta freguesia os padres Amador Caldeira, António Ferreira de Quental, Matias Catanho e Vicente Luiz”.

Por volta de 1594 se acrescentou ou reedificou a pequena capela. Porém, o terramoto de 1748 deixou em tal estado de ruína, que uma testemunha contemporânea dizia que “não tem outro remédio senão nova edificação”.

A 9 de Junho de 1749 lançou-se a primeira pedra para a construção de um novo templo que, que manteve a mesma invocação, e que hoje em virtude do sítio onde foi erigido e de um outro ainda mais recente ter sido edificado, é conhecido por “igreja velha”, procedendo-se à sua bênção solene no dia 13 de dezembro de 1750.

A recordar outros tempos, ainda hoje as armas dos Monizes figuravam sobre a sua campa, colocada no altar-mor.