Comentário à Liturgia do XXIV Domingo do Tempo Comum

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Por Padre Fábio Ferreira

Neste XXIV Domingo do Tempo Comum, através do Evangelista São Mateus, Jesus faz com que Pedro entre na escola divina e ensina-o a fazer as verdadeiras contas que norteiam as relações humanas. Distanciando-se dos velhos mestres farisaicos que endureciam o seu coração com as contas do «não perdoar» e muitas vezes do ódio, Jesus ensina uma nova disciplina onde a matemática do amor ao próximo predomina no saber do coração e liga-se intrinsecamente ao amor a Deus.

Tantas vezes aparece a pergunta no íntimo do coração de quem é ofendido – «será que devo perdoar?» – ou como a de Pedro – «quantas vezes deverei perdoar?». O convite de Jesus não é somar, dividir ou multiplicar mas entrar na lógica do infinito onde o discípulo aprende com o mestre a usar no seu quotidiano do perdão. Caminhar com o outro é um autêntico desafio para o cristão, principalmente quando temos de focar os nossos olhos nos olhos do nosso companheiro de viagem e lhe dizer estas palavras do fundo do coração: “estás perdoado”.

Jesus é um verdadeiro mestre não só pelas suas belas palavras, sermões e discurso magnânimos mas pela forma como vive o que afirma. Quem quer descobrir Jesus tem de levantar os olhos do «eu» e entrar no mistério da cruz onde descobrimos que no meio de tantos insultos e ofensas ao filho de Deus é possível o perdão. Não fechemos o nosso coração a esta atitude bela e nobre de viver o Evangelho, isto é, de perdoar como o Pai do Céu nos perdoa.