Igreja do Faial em destaque

Embora se desconheça a data da construção da primitiva capela de Nossa Senhora da Natividade do Faial, sabe-se que foi construída em terras de Lanzarote Teixeira, quarto filho do primeiro donatário de Machico, Tristão Vaz Teixeira. Esta capela, que já existia em 1531, coincidindo com a mesma data da investidura do capelão, o padre João Soares, passou a constituir a sede da paróquia do Faial, criada por alvará régio no ano de 1550.

O aumento da população determinou a criação de um curato no ano de 1746. A capela, sita na margem da ribeira e bastante danificada devido à violência das correntes, foi substituída por uma nova igreja, erigida na vertente da ribeira, da mesma invocação de Nossa Senhora da Natividade, orago da freguesia.
Esta nova igreja foi dada de arrematação a Cristóvão Gomes, por determinação do Conselho da Fazenda, datada de 20 de novembro de 1744.

Nossa Senhora da Natividade

O pedido da população para reconstrução da igreja pareceu quase profético, pois, em 15 de dezembro de 1744, toda a área foi parcialmente destruída por uma série de grandes chuvadas, que ao longo de 8 dias fizeram transbordar as ribeiras “e levaram para o mar as casas, e as fazendas em que tinham plantados os seus inhames, para sua sustentação, ficando o chão em pedras e os suplicantes impossibilitados de se refazerem da perda”.

Foi então a igreja traçada e orçamentada pelo mestre das obras reais João Moniz de Abreu e a obra dada de arrematação ao mestre carpinteiro Cristóvão Gomes de Sousa. A construção teve lugar na margem oposta da ribeira, em local mais resguardado do que a anterior. A primeira pedra foi lançada a 5 de agosto de 1945. No final de 1747, eram já enviados 1:611$620 réis para a aquisição de um turíbulo, uma naveta e um sino.

O terramoto de 1748 parece não ter afetado o andamento das obras, uma vez que a fazenda régia orçamentou em 1753 as obras de talha e douramento do altar-mor, assim como da residência paroquial.

No entanto, essas mesmas arrematações não terão sido cumpridas, pelo que em 1770, foi proposto ao Conselho da Fazenda a realização do retábulo e do camarim, por “administração directa” da paróquia.

Entretanto, em 1768, tinham já sido atribuídos 1:983$690 réis para os “ornamentos e peças em prata”, assim como 215$950 “para um sino de 20 arrobas”, então enviado de Lisboa”.

A igreja estaria pronta em 1785, em linhas gerais, pois, por “breve pontifícia” de 30 de agosto desse ano foi concedida indulgência plenária aos que a visitassem por ocasião da festa da respetiva padroeira.

 

Igreja do Faial

Todavia, depois dessa data, ainda existem referências a pequenos arranjos, bem como às obras no muro de suporte da igreja, obra essa que foi dada como paga em abril de 1978.

Sobre a arquitectura do templo reproduzimos aquilo que escreve Rui Carita na obra “A Freguesia do Faial”, editada pela Junta de Freguesia. Trata-se assim de uma igreja que “aparece com uma fachada relevada, encimada por cimalha de balanço em cantaria e enquadrada por pilastras, com portal e janelão articulados, com o janelão ladeado por aletas e encimado por florão rematado por flor de Liz. Do lado do Evangelho existe torre sineira, com dias janelas quadradas e janela dos sinos com arco de volta perfeita, rematada por cimalha relevada em cantaria com eirado em “chapéu de cónego”.

 

A cimalha da fachada “é rematada com cruz de calvário com os braços revirados para cima, de que não conhecemos outro exemplo na Madeira. O adro da igreja é murado e, sobre o muro, existe cruzeiro com grande cruz patriarcal, com os braços rematados por bolas, o que deve ser imaginação do artista, pois desconhecemos a presença de qualquer patriarca na Madeira para uma cruz deste tipo ter sido levantada.”