A comunidade paroquial do Faial celebra este domingo, pelas 15:00 horas, a festa em honra de Nossa Senhora da Natividade, a padroeira daquela paróquia, seguida de procissão.
Reza a história que, outrora, iam romeiros de toda a Ilha a esta festa. Em 1590 já Gaspar Frutuoso escrevia sobre a romaria da Senhora do Faial. De cem fogos que constituíam a comunidade paroquial, no dia da Senhora da Natividade, 8 de setembro, reuniam-se mais de oito mil pessoas. Já então se festejava a Senhora do Faial, com pompa, solenidade, comes e bebes, música e danças.

Eis, então, o que escreve o historiador: “Pelo seu dia que vem a oito de Setembro, se ajuntam de romagem de toda a ilha, passante de oito mil almas, onde se vê uma rica feira de mantimentos de muita carne gostosa (…). Ali se ajuntam muitos cabritos e frutas, e outras coisas de comer, para os romeiros comprarem, os quais muitas vezes se deixam estar dois, três, e mais dias em Nossa Senhora, descansando do trabalho do caminho, porque vem de dez, e doze léguas por terra muito fragosa, e juntos, fazem muitas festas de comédias, danças e músicas de muitos instrumentos de violas, guitarras, flautas, rabis, e gaitas de fole. E pelas faldas das ribeiras, que tem grandes campos, no dia de Nossa Senhora e em seu oitavário se alojam os romeiros em diversos magotes, fazendo grandes fogueiras entre aquelas serranias. Dizem que ali apareceu Nossa Senhora onde tem a igreja”.
Hoje, para a grande Festa da Natividade do Faial continuam a chegar romeiros de toda a ilha, mas também muitos filhos desta freguesia que emigraram para a Venezuela, o Brasil, os Estados Unidos, a Austrália, e Ilhas do Canal. Trazem na bagagem a enorme vontade de, em união com os seus devotos residentes na terra, celebrarem a sua secular Padroeira.
A devoção da Natividade na Madeira
Na sua essência, o programa litúrgico, cultural e gastronómico não se distanciará muito das festas primitivas. Terão mudado os meios de transporte, os dias da celebração, a forma de expressar-se e divertir-se. Mas, no fundo, a intenção com que se vai à festa é a mesma: louvar a Senhora da Natividade, agradecer-lhe a intercessão consequente de Padroeira pelos filhos e afilhados, onde quer que se encontrem.
Não deixa de ser curioso o facto de ser apenas na paróquia do Faial que, em toda a Região, se venera a Natividade de Nossa Senhora, como Padroeira da comunidade paroquial. Algo que acontece desde os tempos da criação da mesma paróquia, sinal evidente de que já existia essa devoção, desde os tempos da colonização daquelas terras.
Embora se desconheça a data da construção da primitiva capela de Nossa Senhora da Natividade do Faial, sabe-se que foi construída na fazenda povoada dos terrenos pertencentes a Lanzarote Teixeira, quarto filho do primeiro donatário de Machico, Tristão Vaz Teixeira. A capela já existia em 1531, pois foi neste ano que o padre João Soares foi investido como capelão. E foi aqui fixada a sede da paróquia do Faial, quando criada por alvará régio de 20 de fevereiro de 1550.



















