Pe. Alexandre Mendonça diz que oração é importante, mas é preciso mais

O capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas esteve no Paço Episcopal onde apresentou cumprimentos ao vigário geral da Diocese, cónego José Fiel de Sousa, em representação do bispo do Funchal

Cónego José Fiel de Sousa e P. Alexandre Mendonça na Biblioteca da Câmara Eclesiástica do Funchal

A apresentação de cumprimentos foi o principal motivo que levou o Pe. Alexandre Mendonça, esta quinta-feira, ao Paço Episcopal. Na ausência de D. António Carrilho, bispo do Funchal, foi o cónego José Fiel de Sousa, vigário geral da Diocese, quem recebeu o capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas.

Naturalmente que a situação naquele país foi um assunto abordado durante o encontro. À saída, em declarações ao Jornal da Madeira, o Pe. Alexandre Mendonça disse que aproveitou esta visita de cortesia para “manifestar o meu profundo agradecimento pela atitude que que tenho visto sobretudo nas Missas, onde a Venezuela não tem sido esquecida”, sendo “motivo de oração”. Significa isto que “estamos unidos num só: nas dificuldades, mas sobretudo na fé e na oração que, ao fim e ao cabo, é a razão de ser da nossa missão aqui no mundo”.

No entanto, embora reconheça o poder da oração, o Pe. Alexandre diz que procurou nesta oportunidade sensibilizar também para o facto de ser importante a “Igreja pôr em prática a caridade que tantas vezes anuncia”. Por outras palavras, é preciso passar “do conceito aos atos concretos”, porque a situação é “violenta” e “inesperada”. De um lado e de outro, ou seja, tanto da parte dos que chegam como dos que acolhem, “estamos perante uma situação que ninguém previa” e que reconhece não ser fácil de ultrapassar. Para isso, sublinha, “há um trabalho que tem de começar na Igreja, e que vai muito para além da oração, embora esta possa e deva ser intensificada em todas paróquias”. É preciso “que os senhores padres sejam os primeiros a ajudar a que não sejamos estrangeiros na Venezuela e também na nossa terra”.

Neste momento, acrescenta o sacerdote, “a minha missão é ser voz daqueles que não têm voz” e apelar para que as pessoas sejam “recebidas com muito carinho, porque elas vêm com necessidade de encontrar um sorriso, uma mão amiga e uma postura afetiva e efetiva.” As pessoas, diz ainda, “têm de sentir que a Igreja não é só discurso, que as palavras não são só de circunstância, mas que aquela mão amiga é para as acompanhar nas suas reais, autênticas e difíceis necessidades”. É claro que “por muito que se faça, vai ser sempre insuficiente”, reconhece o sacerdote, até porque não podemos “pedir às pedras que sejam pães”. Todavia a Igreja, sem se sobrepor a outras instituições, tem de mostrar que está efetivamente disponível para ajudar.

Concreto tem de ser também o apoio, nomeadamente por parte do Governo, que além de um gabinete para apoiar os que regressam, deve simplificar os processos, o reconhecimento das competências profissionais de cada um, naturalmente sem violar normas e leis, mas também “sem complicar”. Garantir a educação dos mais novos e o acesso de todos à Saúde, são ainda dois aspetos que o capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas gostaria também de ver assegurados, conforme declarações feitas ao Jornal da Madeira, neste dia 7 de setembro, na sequência da sua visita ao Paço Episcopal para a apresentação de cumprimentos.