Dor e luto ensombram a festa de Nossa Senhora do Monte

12 pessoas faleceram e 52 ficaram feridas devido a queda de árvore

A Festa de Nossa Senhora do Monte acabou de forma trágica para alguns dos peregrinos que ali acorreram. A queda de uma árvore de grande  porte, no Largo da Fonte, acabou por ceifar várias vidas e deixar outras tantas pessoas feridas, algumas das quais com gravidade.

Devido a esta situação, a tradicional procissão, com milhares de pessoas, acabou por não se realizar, com o pároco do Monte, Pe. Giselo Andrade, a informar os fiéis que enchiam a igreja de Nossa Senhora do Monte do sucedido e a avisar que o acesso ao Largo da Fonte estava interdito.

Nada fazia prever este desfecho. O dia começou como tantos outros, com os fiéis a subirem ao Santuário do Monte, em gratidão pelas graças  recebidas e a pedirem a proteção de Nossa Senhora.

À hora prevista começou a Eucaristia da Festa, presidida pelo Bispo do Funchal, D. António Carrilho, uma Missa solene que contou ainda com a presença de várias entidades oficiais, como é da tradição, em homenagem à Padroeira da Madeira.

 

António visitou local da tragédia


Após a eucaristia e quando já se sabia que a tragédia tinha terminado abruptamente com aquela que devia ser uma tarde de festa, D. António  Carrilho desceu até ao Largo da Fonte.

Um momento de visível consternação, com o Bispo do Funchal a rezar pelos que partiram de forma tão inesperada, a deixar uma palavra aos que estiveram e estavam envolvidos no socorro, nomeadamente Bombeiros e Proteção Civil.

De seguida, dirigiu-se ainda à junta de freguesia, que depressa se transformou num local de apoio aos familiares das vítimas deste incidente, onde procurou confortar aqueles que ali se encontravam.

Na homilia, D. António Carrilho lembra os emigrantes na Venezuela e as aspirações dos jovens

O Bispo do Funchal lembrou hoje a grande devoção do povo madeirense à Virgem Mãe de Deus. Foi durante a homilia da Festa litúrgica da Assunção de Nossa Senhora, conhecida na nossa Diocese como Festa do  Monte: “É todo um povo que se congrega para louvar Maria-Mãe, para se  aproximar dela e com ela escutar e meditar a Palavra de Deus”, disse. “Que essa Palavra ilumine a nossa vida e faça crescer em nós a fé, a  esperança e a caridade, pois sempre que nos aproximamos de Nossa  Senhora, Ela abre-nos o caminho ao encontro de Cristo”; e “encontrar Cristo é voltar-se para o mundo e para os outros nossos irmãos, com  generosidade e caridade”, sublinhou D. António Carrilho perante os  inúmeros fiéis que participaram na celebração realizada na igreja do Monte.

A Festa da Senhora do Monte, em homenagem à Senhora da Assunção, é a maior romaria da ilha, celebra-se em outras localidades e até nas comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo. E D. António Carrilho  não esqueceu aqueles que partiram, mas que agora são obrigados a  regressar. Numa “prece especial a Maria-Mãe”, o prelado madeirense  pediu a Nossa Senhora que olhe e ampare “os filhos que nesta hora mais  precisam de ajuda, ânimo e força para refazer as suas vidas e  construir o futuro”.

Os jovens foram também lembrados na homilia de D. António Carrilho, a  propósito do próximo Sínodo dos Bispos, em 2018, convocado pelo Santo  Padre, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”; tendo considerado que a preparação deste sínodo é também “uma  oportunidade” para que se “realize um caminho de revisão reflexão e  renovação pastoral” na nossa comunidade diocesana, tendo na “devida  atenção os jovens e as questões fundamentais com que se debatem,  designadamente o sentido da vida e a importância da fé na busca da  felicidade”.