Igreja do Monte acolhe visitantes o ano inteiro

Um templo para conhecer com festa ou sem ela

Se na edição do passado dia 5, falámos do convento de São Bernardino, aproveitando o facto de ali ter sido celebrada Missa por ocasião dos 512 anos da morte de Frei Pedro da Guarda, esta semana é quase obrigatório falar da igreja do Monte. Com ou sem festa esta, é uma daquelas igrejas de visita obrigatória.

Situada num espaço privilegiado de uma das mais verdejantes freguesias do Funchal, com a sua fachada flanqueada por duas torres sineiras, típicas das construções insulares dos finais do séc. XVIII, e a sua enorme escadaria, por onde a 15 de agosto sobem os penitentes romeiros no cumprimento das suas promessas, a igreja do Monte está de resto, e como não podia deixar de ser, incluída nos guias turísticos da cidade do Funchal.

A igreja de Nossa Senhora do Monte foi solenemente sagrada a 20 de dezembro de 1818, sendo a cerimónia presidida pelo Arcebispo de Meliapor e Governador do Bispado do Funchal, D. Frei Francisco Joaquim Menezes de Ataíde, da Ordem de Santo Agostinho.

Entre 1819 e 1824, tiveram início as obras de maior vulto na sacristia e na atual capela do Santíssimo Sacramento. Mais tarde, em finais do século, e por iniciativa do vigário da paróquia, em 1884, as paredes interiores laterais da nave e o batistério foram decorados com azulejos e mármores de motivos bíblicos e alegóricos. No adro, a 6 de setembro de 1936, foram entretanto inaugurados dois painéis de azulejos alusivos à Eucaristia e a Nossa Senhora do Monte, da autoria dos escultores Aubert e José Pereira, respetivamente.

Voltando ainda ao interior do templo, de referir o interessante conjunto de pinturas de finais do séc. XVIII, do conhecido pintor madeirense Nicolau Ferreira, os altares de talha policromada e dourada, em estilo rococó, da autoria dos entalhadores Julião Francisco Ferreira (1747) e Estêvão Teixeira de Nóbrega (1790/1821), e, apenso à parede, o púlpito e o cadeiral das confrarias.

É ainda motivo de visita o túmulo do último imperador da Áustria, Carlos de Habsburgo, que faleceu no Monte a 1 de Abril de 1922, sendo sepultado nesta igreja a 5 de Abril do mesmo ano e beatificado a 3 de outubro de 2004.