A Família Missionária Verbum Dei, na diocese do Funchal, está a promover a “Missão Madeira 2017”, com o tema “Atreve-te a ir mais perto”, centrada na evangelização. Até ao próximo dia 19, um grupo de 12 jovens missionários, entre os 17 e os 27 anos de idade, da comunidade de Lisboa, está a dinamizar ações junto dos “idosos, crianças e adolescentes, momentos de partilha, de formação, vigílias de oração, e visitas a doentes”, em várias paróquias.
A missão iniciou-se a 19 de julho e tem registado bom acolhimento, como provam os testemunhos de três missionários (Inha, Marta e Chico) que aqui se partilham.
Habitados pela alegria (Inha)
É duro entrar no quarto do Sr. Rui e conhecê-lo na sua condição de toda a vida, mas também, na condição pela qual tem vindo, desde os 17 anos, a manifestar a sua humanidade. Ver um homem com a mesma idade do meu pai (58 anos) a pesar entre 20 a 30 quilos, de corpo mirrado, acamado desde a sua adolescência, remexeu com a minha sensibilidade e desafiou-me a ir mais perto. “Porque é que escolhi a pessoa que tinha conhecido, naquela manhã, que tinha a situação que eu considerava mais complexa?”, perguntava-me enquanto voltava para o seu quarto. Além da condição física, o Sr. Rui dizia três palavras “sim, não, quê”. Escolhi ficar no seu quarto o dia todo, sem saber o que poderia fazer, visto que qualquer atividade física ou conversa não seria possível. Então, na primeira hora, apenas estive. Estive ao seu lado em silêncio – por vezes, o silêncio fala mais alto – em troca de olhares e sorrisos. Mas os meus sorrisos não eram devolvidos.
Trabalhando numa área criativa (como designer gráfica) pensei pôr a minha criatividade ao serviço do Sr. Rui, e comecei a contar uma história sobre elefantes. Tive a primeira reação do Sr. Rui desde que tinha chegado. Os olhos abriram quando dizia a palavra elefante e franziram rapidamente, perguntando, em silêncio, o que seria aquilo. Será que não se lembrava de elefantes? Será que tinha visto um algum dia?
Sem poder perder a oportunidade de comunicar com o Senhor Rui sobre o elefante, comecei a imitar um. O ar confuso acentuou-se (de facto, deve ter sido a primeira vez que alguém tentou imitar um elefante!).

Quando fui à minha bolsa buscar o meu caderno para desenhar um elefante, vi o meu telemóvel e lembrei-me do mundo de possibilidade que podia dar a conhecer ao Senhor Rui: podia, em fotografias, mostrar o elefante a andar, tomar banho…
Quando lhe mostrei a primeira fotografia, deu um grito, mas enquanto o grito fazia um barulho ensurdecedor, um sorriso rasgou-se na cara do Senhor Rui. A alegria que uma simples fotografia transmitiu foi o ponto de partida para o nosso dia juntos.
A comunicação corporal falou mais alto: o olhar indiferente virou um olhar alegre com os animais que lhe fui mostrando, as mãos queriam tocar a minha mão e mexer no telefone, curioso com o que aconteceria se tocasse em determinado botão (quando descobriu o scroll, gritou de alegria!). Talvez o que mais me tenha tocado no dia todo foi, ao mostrar e explicar uma fotografia de uma mãe pata com os seus filhotes, os seus olhos abriram, mexeu-se (tanto quanto podia) e gritou “mooaem”; era uma palavra nova, diferente dos seus sins, nãos e quês. E foi proferida com tanta força e emoção! Há quanto tempo não ouvia falar de uma mãe? Será que pensou na sua? Só pode ter pensado porque a comoção e alegria que o Sr. Rui transbordou não foi vazia. O Sr. Rui deu tudo quanto tinha para se mexer tanto e gritar o que gritou. E a sua expressão não deixava dúvidas. Palavras para quê, quando somos habitados por tanta alegria e carinho ao ver o Sr. Rui assim? No resto do dia, falámos sobre a sua família, a minha, o que gostávamos ambos de fazer … tanta coisa! E tudo com três palavras “sim, não e quê”.
Transmitir aos jovens o “sim” a Jesus (Marta)
Nos dias 27 e 28 de julho, tivemos a oportunidade de realizar atividades com os jovens da Paróquia de Santa Cruz. Durante estes dias, dividimos o grupo em dois: o grupo dos jovens e o grupo das crianças mais novas da catequese. O nosso objetivo, nos dois grupos, foi dar a conhecer Jesus, de uma forma concreta e alegre, através da realização de atividades lúdicas, tais como gincanas e “peddypappers”.
A experiência de partilha com estes jovens foi muito intensa porque nos obrigou a voltar atrás no tempo, relembrando o que foram para nós os nossos anos de catequese e a forma como estes nos marcaram, bem como os nossos tempos de juventude e adolescência.
Também o desafio e a experiência de preparar uma vigília de oração para os jovens do Crisma, realizada no dia 4 de agosto, foi igualmente intensa. A possibilidade de estar e dinamizar atividades com os jovens durante estes dois dias permitiu-nos preparar uma vigília mais adaptada às necessidades e inquietações dos crismandos da Paróquia de Santa Cruz. Deste modo, foi possível proporcionar vários momentos de oração, através da leitura da Palavra e do testemunho de vida.
O objetivo era transmitir aos jovens a importância e o impacto que este SIM a Jesus, através da realização do sacramento do Crisma, tem nas nossas e nas suas vidas!
Olhar para o mais profundo (Chico)
Olá, o meu nome é Francisco, tenho 17 anos, estou no 11.º ano de artes e faço parte da Família Missionária Verbum Dei de Lisboa, da Paróquia do Campo Grande. Fui desafiado a vir em Missão durante um mês, para ter uma experiência de fé e de vida, a partir de uma oração constante e de um discernimento interior.
Nestes dias, tenho vindo a aperceber-me que quando se acredita profundamente em Deus, quando se ama, confia, acolhe, pode-se ir muito mais longe. Tem-me marcado interiormente estar com os idosos e com os jovens, ouvir as experiências de vida de cada um. O nosso lema “Atreve-te a ir mais perto” tem vindo a ser muito forte, pois para mim tem desafiado a olhar para o mais profundo de mim, olhar para o que me inquieta, com o amor de Deus. A Missão para mim é viver em comunidade a partir do Espírito de Deus.






















