Comentário à Liturgia Dominical: 19º Domingo do Tempo Comum

Por Cónego Manuel Martins

A liturgia deste 19º domingo comum, mostram-nos o cuidado de Deus pela humanidade, caminhando com ela e revelando-se continuamente como um Deus próximo e salvador.

A 1ª leitura transporta-nos para o séc. IX antes de Cristo, quando em Israel (reino do norte) governava o rei Acab. Influenciado pela sua esposa fenícia Jezabel, permitiu que fossem construídos muitos altares dedicados aos deuses pagãos. Esta atitude do rei desagradou aos grupos religiosos, por atentarem contra a Lei de Moisés e contra a Aliança de Deus com o seu Povo.

Perante este desvio à fé no Deus de Israel, trocado por ídolos, o profeta Elias vai surgir forte, e condena com veemência tais comportamentos desafiando os profetas pagãos para um duelo a fim de manifestar a veracidade do Deus de Israel e consequentemente a falsidade dos deuses pagãos. Este desafio veio a tornar-se dramático para os profetas de Baal e Asserá, que acabaram mortos às mãos de Elias, e vai ser também penoso para o profeta quer será perseguido pela rainha que quer vingar a morte dos seus profetas.

Elias, perseguido e cansado sai do reino do Norte (Israel), atravessa o reino do sul (Judá) e refugia-se numa gruta no monte Horeb. Aí, terá uma revelação de Deus que se manifesta através da brisa suave para lhe dizer que é um Deus, Senhor do amor, não de ódios e teimosias. Até porque podemos, por excesso de zelo, assumir atitudes que defendem as nossas ideias de Deus, e não estarmos a servir a Deus.

Hoje, onde podemos encontrar Deus?

Onde menos esperamos. Se atendermos que Deus se revela por mediações, importa encontrar esses locais da epifania divina. Mas não fiquemos à espera de grandes sinais de espetacularidade. Descubramos Deus na simplicidade do dia que nasce, no grão que amadurece na espiga, no sorriso de uma criança, no rosto de um doente, no pobre que nos interpela… são tantos os lugares onde Deus se manifesta, é aí que Deus está como no Horeb, na brisa mansa de Elias.

Mas Deus está de forma privilegiada na Palavra, na celebração dos sacramentos e na oração. É o que nos apresenta o Evangelho: Jesus na oração cria intimidade com o Pai. É desta proximidade que brota o seu amor. E onde nasce e prevalece o amor, aí está Deus. Mas também podemos encontrar Deus nas muitas adversidades do nosso dia-a-dia. No meio de situações angustiantes que são as nossas tempestades, como aconteceu a Pedro no mar da Galileia. Mas aí estava o Senhor para acalmar e responder às dúvidas de Pedro: “Se és tu, Senhor…” Deus permite que o interroguemos no meio das ondas revoltas do mar da nossa vida. Deus deixa que a nossa barca balance muitas vezes, e outras que quase nos afundemos, como Pedro, para aprendermos a confiar n’Ele e a crescer na fé. Para isso precisamos crescer na amizade com Deus, pois é o amor que dá forma a todas as virtudes.

E as provações porque passamos tantas vezes, qual mar agitado por vento forte como o de Pedro, é tão útil no nosso processo de intimidade com Deus, pois a fé provada, faz aumentar o nosso amor. Resta-nos implorar: aumenta Senhor a minha fé.