Novenário para comemorar o 94º aniversário da morte da Madre Virgínia Brites da Paixão e o 1º aniversário da inauguração da estátua

Foto: Duarte Gomes

O grito. No silêncio da noite, o grito ecoa pela casa e atravessa os muros e as barreiras que as décadas parecem criar, ao lhes caírem em cima.

O novenário que está a decorrer na Igreja de Santo António, até ao dia 17 de janeiro, dia da morte da Madre Virgínia, no horário das missas da Paróquia, ou seja às 19h e no domingo pelas 9h e tem como finalidade fazer ressoar, nesta geração, esse grito forte e feliz, pronunciado há 94 anos e que chega até nós neste novenário que se celebra.

Eram 3 horas da madrugada!

Naquele dia, 17 de janeiro de 1929, “aproximando-se a hora do feliz trânsito, apesar de mal poder balbuciar qualquer palavra, ganhou forças e exclamou com voz forte e feliz: Vamos para o Céu!… Vamos para o Céu!… Vamos para o Céu!…”

Na hora mais solene da vida de cada um de nós, os anjos cantaram, para ela:

Que alegria quando me disseram:

Vamos para a casa do Senhor. (…). Sl 122

Ainda hoje, o grito da Madre Virgínia ecoa e chega até nós pelos divinos Corações, que ela amava e a quem doara a sua vida, de tal forma que, Jesus nomeou-a discípula do Coração da Sua Santíssima Mãe, o Imaculado Coração de Maria. E pediu-lhe que:

– Vivesse intimamente com Ele;

– Manifestasse aos homens a alegria de O conhecer e amar

– Divulgasse a devoção ao Imaculado Coração de Maria

A Madre Virgínia viveu a sua vida ligada à santíssima Virgem, tendo sempre presente aquele momento solene, o dia do seu encontro definitivo com Deus.

É esta a Mulher madeirense, que a todos socorria nas suas aflições, que o Povo quis homenagear, colocando a sua estátua no centro da Rotunda Madre Virgínia, em Santo António.

Com a colaboração do Povo da Ilha da Madeira e Porto Santo (residentes e emigrantes), a estátua lá está voltada para a Igreja, na direção dos seus passos, em visitas que fazia diariamente ao Santíssimo Sacramento.

Colocada no centro da Rotunda, será um farol a indicar o verdadeiro sentido, direção e fim da nossa vida terrena.

A Associação “Madre Virgínia em união com o Imaculado Coração de Maria”, deu voz a esse desejo do Povo, percorreu as Paróquias e desenvolveu atividades para recolher donativos.

Se no dia do funeral, há 94 anos, “o seu pobre ataúde, forrado de pano castanho, a cor do seu hábito, precedido de muitos eclesiásticos e uma multidão incontável de pessoas, foi respeitosamente levado pelos Irmãos da Casa de São João de Deus” e nele seguiam crianças vestidas de anjos com roupas brancas e coroas de flores que até mais parecia uma procissão triunfal, no dia da inauguração da estátua, há 1 ano, estiveram presentes as autoridades civis e religiosas e muitas pessoas a prestar-lhe homenagem. Ao descerrar do véu que cobria a estátua, algumas pessoas tinham lágrimas nos olhos a testemunhar o carinho que nutrem por aquela a quem tratam por amiga no Céu, à qual podem recorrer nos momentos mais difíceis das suas vidas.

E ali está ela a recordar que a devoção ao Imaculado Coração de Maria nesta Ilha, é um desafio do Sagrado Coração de Jesus a todos nós, um pedido de amor à Sua santíssima Mãe, um grito que ecoará por todas as gerações, até que Ele venha!

Conceição Freitas