Capela do Rato: Um gesto de Liberdade

Foto: Presidencia.pt

Há 50 anos, um grupo de católicos, reunido na Capela do Rato, em Lisboa, apelou ao fim da guerra colonial, numa vigília de oração e jejum no dia 30 de dezembro de 1972, desafiando, desta forma, o Estado Novo.

Após a missa vespertina das 19 horas, o grupo de cristãos ocupou a capela, sem ter informado nenhum dos sacerdotes ao serviço da comunidade, os padres Alberto Neto, António Janela e Armindo Garcia. O Patriarca, D. António Ribeiro, ao tomar conhecimento dos factos pelo Pe. Janela e por um casal da comunidade da Capela do Rato, decidiu, “apesar da forma como se tinha procedido à ocupação da Capela, não haver qualquer intervenção da autoridade eclesial, desde que os ocupantes assegurassem as condições necessárias à celebração habitual do culto” (Testemunho do Pe. Janela, Revista Povos e Culturas, “Os católicos e o 25 de abril”, 2014, p. 278).

Num depoimento feito no Brasil (1974), Marcello Caetano, disse, “as autoridades eclesiásticas nada fizeram para pôr termo ao escândalo. A autoridade civil teve de intervir (…) claro que não podia consentir em actos de propaganda terrorista, como esses”.
A polícia invadiu o pequeno templo no domingo, 31 de dezembro, pelas 20 horas. Mais de uma dezena de participantes foram detidos e, mais tarde, os funcionários públicos presentes foram demitidos. A Capela foi encerrada à força e interdito o acesso aos fiéis.
No dia 1 de janeiro de 1973, Dia Mundial da Paz, o Pe. Janela, movido pelas palavras do Patriarca de “assegurar o culto na Capela”, e contrariando a proibição do Governo Civil, abriu as portas e celebrou as missas previstas. Ao terminar, foi detido pela polícia e levado para a sede da PIDE/DGS. No dia seguinte, o Patriarca foi até lá pedir a libertação do sacerdote, um pedido que foi atendido.

No mês passado, o Presidente da República entregou a Ordem da Liberdade à comunidade da Capela do Rato, apontado “aquilo que foi num momento histórico determinante para o percurso de conquista de liberdade”.

No passado dia 9 de janeiro, a RTP1, exibiu o documentário “Um gesto de Liberdade”, que reuniu documentos e testemunhos sobre a vigília na Capela do Rato, “a ação mais significativa da chamada oposição católica progressista ao Estado Novo”.