Bento XVI contado às crianças

D.R.

Em 2007, um gato chamado Chico contou a vida de Bento XVI num livro para crianças (escrito pela jornalista italiana Jeanne Perego). Era um gato muito feliz porque se considerava um dos melhores amigos de José Ratzinger. O gato Chico sempre soube que o seu amigo era uma pessoa muito especial pois “é um amigo sincero de Jesus”, mas não imaginava que um dia viesse a ser Papa. “Na minha casa, estávamos todos delirantemente felizes” quando foi anunciado ao mundo que o cardeal Ratzinger tinha sido eleito Papa. Nessa noite, o Chico estava tão entusiasmado que até se esqueceu de jantar. “Agora José Ratzinger não é apenas o meu amigo, mas também o grande amigo e guia de todos os católicos”, disse o gato.

Chico, o gato de pelo malhado e ruivo, recorda-se o dia em que conheceu a família Ratzinger quando entrou, um pouco a medo, na sua casa em Baviera – Alemanha, pois pertencia a um vizinho da família. Ficou logo amigo de José, o futuro Bento XVI. Gostava de se enrolar nas suas pernas e ficar no seu colo a receber miminhos.
Numa noite de Natal, o Chico estava na brincadeira na casa do jovem José e não queria ir para a rua e sem querer arranhou a cara do seu amigo. Ficou muito triste, mas depois viu que “ele me perdoou imediatamente”. O irmão do Papa emérito, Georg Ratzinger, no livro “Meu irmão, o Papa”, revelou que o gato de pelo vermelho irritava-se com facilidade, às vezes era feroz, tinha “duas almas no peito”.
Uma das coisas que o Chico mais gostava de fazer era passear sobre as teclas do piano, quando José Ratzinger, já cardeal, tocava as obras de Mozart, o seu compositor preferido.

Em Roma, no trajeto que o cardeal Ratzinger realizava entre a sua residência na Praça Leonina e a Congregação para a Doutrina da Fé, aos gatos que encontrava, dava-lhes sempre atenção e algum alimento, de tal forma que os gatos já o conheciam e o acompanhavam em cortejo. Um dia, um membro da Guarda Suíça, corpo de guarda responsável pela segurança do Papa, perguntou-lhe: “Eminência, o que está a fazer? Está a organizar uma invasão de gatos no Vaticano?”

A 10 de fevereiro de 2013, com 85 anos, o Papa Bento XVI anunciou a sua resignação, depois de 8 anos de pontificado. “Cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino”. Em 600 anos foi o primeiro Papa a abdicar.

Bento XVI, retirou-se no Mosteiro “Mater Eclesiae”, no Vaticano. Uma família amiga ofereceu-lhe dois gatinhos, a Condessa e o Zorro, que lhe fizeram companhia durante os últimos anos de vida, dedicada à “oração, leituras, estudo e troca de correspondência”, como revelou o seu secretário.

No último dia do ano de 2022, o humilde trabalhador da vinha do Senhor, aos 95 anos, partiu para Deus dizendo “Senhor, amo-te”.

Poderá ser que um dia, os gatos Condessa e Zorro, tal como fez o Chico, escrevam a história do seu amigo que fez amigos um pouco por todo o mundo.