Ao fim da tarde de quinta-feira, dia 31 de Março, a igreja do Colégio encheu-se para a oração do terço e um testemunho/reflexão, pelo Pe. Johannes d’Autriche, bisneto do Imperador Carlos, que foi ordenado sacerdote católico, pela Fraternité Eucharistein – Ordinations et Voeux, em 16 de junho de 2018, depois de ter lido a biografia de seus avós e ouvido o chamamento para os imitar.
Sobre a trajetória dos seus bisavós, o padre Johannes disse que “suas vidas foram entregues ao serviço dos pobres e da paz, quando poderiam ter vivido de maneira muito diferente, como príncipes; para mim eles representam o próprio exemplo de a nobreza do coração”.
Juan de Habsburgo-Lorena, então com 37 anos, formou-se em Economia na Suíça, e tinha um bom emprego num banco parisiense. No entanto, percebeu que estava vivendo uma vida egoísta, e resolveu mudar e entrar para a Fraternidade Eucarística.
Johannes de Habsburg, não é o primeiro jovem a abandonar uma promissora carreira para o sacerdócio. No entanto, um sobrenome intimamente ligado ao cristianismo europeu, bem como a força do seu compromisso – “Jesus é a única razão pela qual foi ordenado” – conferem ao seu caso uma singularidade.
O jovem padre – terceiro dos oito filhos dos arquiduques Rudolf e Hélène da Áustria – nunca sofreu uma crise de fé. Pelo contrário: “quando criança já era atormentado pelo mal que invade o mundo; quando adolescente, uma professora de inglês escandalizou-o ao dizer-lhe que o mundo não podia ser mudado: eu nunca teria concordado em mergulhar nesse tipo de desesperança!”
Na Fraternidade Eucarística, Johannes tem levado uma vida exemplar de abnegação, que leva a que quem cruza o seu caminho nutra por ele grande admiração.
Ao Jornal da Madeira, já depois de terminadas as cerimónias o Pe. Johannes d’Autriche fez questão de lembrar que “a família continua a ser muito grata à ilha e ao seu povo pela forma como acolheu os seus bisavós”.
A Madeira, acrescentou, continua “a amar o Imperador Carlos, porque o amor nunca morre”. E isso, disse, é “muito bonito” e prova de que o Beato Carlos “tocou e continua a tocar a vida de muita gente”.
Dia de vários eventos
De resto, foram vários os eventos culturais e religiosos que ao longo desta quinta-feira lembraram e homenagearam o Beato Carlos da Áustria.
A abertura de uma exposição temporária, no Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicentes, foi uma dessas iniciativas. “Memória da passagem do Imperador Carlos de Áustria pela Madeira” é como se intitula esta mostra, cuja abertura contou com a presença do Bispo do Funchal, do representante da República, do presidente da Assembleia e do secretário do Turismo, entre outras individualidades.
A mostra, que poderá ser visitada até o dia 22 de Abril, está inserida no programa de comemorações do 1.º Centenário do falecimento do Beato Carlos d’Áustria preparado pela Diocese do Funchal, com a colaboração da Secretaria Regional de Turismo e Cultura e ainda o apoio da Câmara Municipal do Funchal.
A exposição é composta por 18 fotografias a preto e branco do imperador Carlos da Áustria que, em 2004, foi proclamado Beato da Igreja Católica, fazendo memória dos momentos mais marcantes da sua passagem pela ilha. Evidencia a chegada dos arquiduques, vindos da Suíça, a 19 de novembro de 1921, a bordo do navio da marinha de guerra britânica “Cardiff”, a vivência na Madeira, o falecimento do Imperador, as cerimónias fúnebres e a partida da família, a 19 de maio de 1922.
A esta iniciativa seguiu-se uma outra organizada pela ACEGE, Associação Cristã de Empresários e Gestores, que convidou Elizabeth Montfort, autora do livro ‘Carlos e Zita de Habsburgo: Itinerário espiritual de um casal’ , o Arquiduque Miguel de Habsburgo, que a apresentou e o Bispo do Funchal, que assina o prefácio da edição portuguesa.
Oficialmente apresentada no dia anterior na igreja do Colégio esta obra, editada pela Lucerna em colaboração com a Fundação a Junção do Bem, nasce do interesse da autora pela história do casal, do encontro de Elizabeth Montfort com a Imperatriz Zita, numa abadia beneditina e do posterior encontro do Arquiduque Rodolfo, que lhe pediu que desse a conhecer, em França, a vida do seu pai.
Durante cerca de um ano Elizabeth Montfort leu todos os livros disponíveis em francês e durante seis meses escreveu o livro. Encontrou-se ainda com vários familiares e outras pessoas que conheceram o casal e a Imperatiz Zita.
Imperatiz cujo processo de Beatificação está aberto desde o dia 9 de dezembro de 2009, que correu todos os seu trâmites, estando neste momento a ser apreciada a condição de milagre de duas curas.
O prosseguimento do processo de canonização do Imperador Carlos e o desenvolvimento do processo de beatificação da Imperatriz Zita poderá, acredita a autora, colocar este casal a par de vários outros que já foram reconhecidos pelas suas virtudes heróicas.
Por fim, a autora lembra a semelhança entre a época em que Carlos e Zita viveram e o momento atual da nossa história e essa semelhança está na guerra. “Hoje os combates passam-se na Ucrânia, não se trata de uma guerra mundial, mas a guerra económica tem consequências de uma guerra mundial, por causa das carestias de cereais e outros bens”.
Uma outra semelhança entre as duas épocas “está ligada à instabilidade política”, com “os países ocidentais a viver uma grande instabilidade por causa da pandemia, das ideologias que se fraturam, por causa da perda da fé nas famílias”.
As nossas sociedades, diz Elizabeth Montfort, tornaram-se violentas. Neste contexto, “o Beato Carlos pode ser para todos nós um modelo”. Amigo da Paz, “ele pode interceder por nós, podemos pedir-lhe que seja para nós um artesão da paz”.
Carlos e Zita são “um ícone do casamento cristão”, podendo ser, olhados e vistos, neste ano Internacional da Família, nessa perspetiva. Além disso, Carlos pode também ser proposto como “um modelo dos jovens a ter em conta pelos jovens que virão a Lisboa em 2023, paras as jornadas mundiais da juventude”.
Neste almoço voltaram a marcar presença algumas das entidades que estiveram na abertura da exposição, às quais se juntaram muitas outras.
O dia terminou com um magnífico concerto na Sé do Funchal pela Orquestra Clássica da Madeira, dirigida pelo maestro convidado Tibor Bogányi e a presença de Vilmos Szabadi, violinista solista.
























