In Memoriam: Padre Frei Pascual Piles Ferrando, O.H. (1944-2021)

Frei Pascual Piles Ferrando | D.R.

Ao findar do ano, em 28 de dezembro de 2021, chegava a notícia do falecimento deste grande Irmão de S. João de Deus. Sinto-me impelido a escrever, com saudade, esta simples homenagem de gratidão pela vida deste Irmão. Longos anos vividos em frequentes relações de trabalho e de formação na Ordem Hospitaleira com ele, marcaram a vida da Ordem e as pessoas à sua volta; e, pessoalmente, vibraram agora no meu coração nesta passagem para vida da ressurreição.

Deixaram memória viva de comunhão espiritual. A partir dos anos 80 do século passado multiplicaram-se as atividades em que colaborámos, em proximidade, no seguimento do impulso do Irmão Pierluigi Marchesi e do Irmão Brian O’Donnell, em encontros, em Roma e fora de Roma. No seu tempo de conselheiro geral (1988-1994), nas reuniões de Pastoral e na comissão de elaboração da Carta de Identidade de que fazia parte; os encontros repetiram-se em inúmeras oportunidades durante o tempo de Geral do Irmão Brian O’Donnell. No Capítulo Geral de 1994, em Bogotá, em que participámos, depressa se reuniram consensos para eleger o Irmão Pascual Piles como Superior Geral e para o reeleger no Capítulo Geral de Granada, em 2000. Foram doze anos de grandes iniciativas em que o Irmão Pascual visitou todas as casas da Ordem e em que dirigiu à Ordem cerca de três de cartas circulares e mensagens muito significativas, e sempre de grande animação e esperança no futuro. E publicou ainda a Carta de Identidade (2001) e O Caminho … Espiritualidade da Ordem (2003). Pela festa de S. João de Deus de 2002, por exemplo, dirigiu a circular “S. João de Deus, pobre em espírito” com novos temas que continuou a desenvolver nas mensagens por ocasião das festas de S. Ricardo Pampuri, Santo Agostinho, no mesmo ano e de novo na festa de S. João de Deus de 2003, acrescentando temas da sua espiritualidade e vocação em 2004. Pelas suas mensagens ficava-se não só a par de tantas iniciativas da Ordem, mas era-se contagiado pelo seu ânimo e entusiasmo pela Ordem. Uma impressão constante que irradiava era a sua facilidade de comunicação aberta e sorridente: parecia que nunca teve momentos de má disposição. 

Foi um Superior Geral providencial à frente da Ordem na celebração do V Centenário do Nascimento de S. João de Deus, em 1995. Animou os trabalhos de programação da Comissão Geral, de que fizemos parte como presidente da Comissão da Província Portuguesa, com o seu apoio e sugestões. Tomou papel ativo nas três solenes celebrações internacionais: a da abertura em Montemor-o-Novo, em 8 de março de 1995, como delegado do Papa, o Congresso Internacional da Família Hospitaleira em Roma, dezembro de 1995, em que os congressistas foram recebidos por João Paulo II, e o encerramento  em Granada, em 8 de Março de 1996 também como delegado papal com a procissão grandiosa e celebração na Catedral de Granada, em que o Irmão Pascual fez um memorável discurso de agradecimento, evocação da vida  de S. João de Deus e da hospitalidade evangelizadora a que chamou, em invocação  orante ao Santo,  “Nova Hospitalidade”.

Numa palavra, Pascual Piles foi um grande animador, tanto nas expressões de alegria e convívio como nos conteúdos substanciais joandeínos. Recordo ter-lhe ouvido dizer uma vez que tinha recebido com o nome de Pascual  um pouco do estilo  de S. Pascoal Bailão o qual, em oração,  terá dançado de alegria diante do Santíssimo Sacramento. Com efeito, era também exímio no jeito de animar encontros com passes de dança a acompanhar as canções, sem perder nada na profundidade da sua vida espiritual. Recordo também de ele dizer que fazia oração prolongada, meditando as cartas de S. João de Deus e falando com ele sobre os problemas da Ordem. Continuará, certamente, junto do Santo na glória a ser um dom para a Ordem e um apelo para todos continuarmos a agradecer a sua vida ao Senhor.