Prendas de Fim de Ano e Ano Novo 2022

Foto: Duarte Gomes

Permitam que fale de mim antes que acabe o Ano. O meu Eu quer dizer umas coisas com algum bom orgulho. Bom, se isso existe. Não levem a mal. Muitos têm pensado em mim. Ora vejam algumas prendas que me deram e gostei de receber. Pedi umas, e recebi outras sem me dizerem nada.

Neste Natal ainda pensei pedir outras ao Menino Jesus e, de repente, lembrei-me que devia gradecer antes os dons que já recebi como fizeram os modelos desta oitava de Natal: a Virgem Maria no Magnificat, Zacaria no Benedictus, Santa Isabel na Visitação e o Velho Simeão na Apresentação do Menino Jesus. Bem sei que estes são lugares comuns, mas  mais comum é a “Casa comum” que Jesus veio habitar connosco há dois mil anos. 

Agradecer é pedir mais e duas vezes. A quem e desde quando? Difícil lembrar tudo. Bem. Desde o início da minha vida, que foi desde o dia da minha conceição, desde que fui gerado, desde que passei de um conceito a um ser humano encarnado, a ter carne e espírito, que comecei a viver. Então, deixem-me dizer o meu A que vem antes de todas as letras do alfabeto até Z. Tudo foram dons, quer dizer dados, desde o projeto do Aires, criado pelo Criador. Claro, eu não estava lá, ainda. Desde que Ele fez meu pai e minha mãe, os meus procriadores; desde nove meses antes de nascer e a viver na minha mãe, mas ainda não sabia; e desde que ela me deu à luz do dia quando ela tinha 44 anos; e desde que vivi com todos os meus irmãos e irmãs. Os avós já o Senhor os tinha chamado.

 Dom foi o meu pároco e tanta coisa divina que me deu do batismo ao crisma, dons foram o professor da primária e as prendas de conhecimento que me deu de A a Z; um Irmão de S. João de Deus chamou-me e acompanhou-me; mestres que me alimentaram com o carisma do santo, João de Deus, tudo foram prendas para mim e para partilhar com muitos outros. O Senhor dá prendas, em grande, até transbordarem para muitos. Quando me consagrou a Ele, quando o bispo me ordenou, quando tantos professores me ensinaram em dezenas de escolas e saberes, recebi bênçãos que alastraram para centenas, milhares de pessoas a quem Deus Pai, Jesus Cristo, o Espírito Santo, Nossa Senhora e tantos santos concederam prendas. Louvo e dou graças ao Senhor porque Ele dá sempre mais. São maravilhas.

Estamos no fim do ano; agora peço outras prendas para o NOVO ANO. A libertação da doença causada à humanidade, da pandemia do vírus coroado. E que esta libertação liberte também de muitos errados estilos de viver. É uma prenda que depende do uso da liberdade de muitos. Boas prendas seriam viver mais em família de pais, bebés, jovens casados, com emprego, casa e filhos. Doutro modo o inverno demográfico (Papa Francisco) não dá lugar à primavera da vida. E que os filhos e netos não imitem os que levam os avós para uma gruta da montanha com a manta, como diz o conto. Os meios escasseiam, é verdade; por isso, peçamos outra prenda: um em cada três dê o que consome a mais ao terço das pessoas que passam fome e outras misérias. Esses receberão uma prenda de saúde de menos uma doença em cada três, por não consumirem de mais o que faz mal à saúde. Será que o outro terço das pessoas consome saudavelmente com moderação? Se sim, a ecologia no Ano Novo agradece e os serviços de saúde, também.

Pedia ainda outra prenda: a redução do furor anticultura cristã, anticristianismo e ainda mais, anticristos e anti Evangelho. Como se o Menino Jesus e a suas palavras fossem o maior mal do mundo. Não será antes o diabo e os seus comandados? Não será que o Natal e os dois mil milhões de batizados cristãos, mais os que vivem a substância deste sacramento, ajudam a reduzir a corrupção dos ambientes e do coração como prenda dada a toda a humanidade no Ano Novo, a juntar à prenda dos outros mais de mil milhões de monoteístas que aceitam um único Deus criador e vivem a sua religião com verdade. Um Ano Novo, 2022, abençoado, como prenda para todos.

Funchal, oitava de Natal de 2021