ACEGE promoveu conferência sobre “O futuro do trabalho e os desafios para a gestão”

D.R.

A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) promoveu na sexta-feira, 26 de novembro, um almoço e conferência sobre “O futuro do trabalho e os desafios para a gestão”.

A iniciativa que contou, entre outras, com a presença de D. Nuno Brás, teve lugar no Pestana Grand Hotel e o orador convidado foi o gestor Diogo Alarcão.

Antes da conferência, e em declarações ao Posto Emissor do Funchal, a propósito do tema que iria ser abordado, o bispo diocesano começou por sublinhar que “é muito importante percebermos que a vida profissional não é uma coisa paralela à vida cristã”, quer isto dizer, que “nós cristãos somos cristãos na Igreja, na família e no trabalho”. 

Neste caso, explicou, “um empresário cristão não pode deixar de procurar viver e de administrar a sua empresa de acordo com critérios que não são simplesmente os critérios do perder e do ganhar, mas são sobretudo os critérios das pessoas, das pessoas a quem servimos e das pessoas que colaboram na atividade da empresa”.

Portanto, concluiu, “tudo quanto seja dar uma perspetiva ética, que vá para além do lucro é sempre importante, neste caso para os empresários e depois também isso reflete-se necessariamente seja nas empresas seja depois na própria sociedade”.

Questões de organização

Já Diogo Alarcão, o orador, explicou que iria “falar sobre as novas formas de organização do trabalho no futuro, não fazendo futurologia, mas usando informação que fui recolhendo, através de várias fontes, para perceber o que é que as novas gerações, por um lado, e estes desafios que a pandemia e não só, também a digitalização e a automação, estão a provocar em termos de como organizar as empresas e como organizar o trabalho”.

Em termos mais concretos, o gestor explicou que ira centrar a sua comunicação, na “nova economia digital, nos novos vínculos laborais, a forma como os jovens olham para o mercado de trabalho e para as formas de trabalhar e o que é que isso significa em termos de desafios para a gestão”. 

Como a Associação Cristã de Empresários e Gestores é, como o nome indica, cristã “também procurarei, eu próprio que sou uma pessoa de fé, lançar algumas pistas sobre como é que o cristão deve olhar para esses desafios, para aqueles que estão mais desprotegidos, porque esta economia também vai criar menor proteção em algumas franjas da população”.

Questionado sobre se há alguma forma específica de um cristão olhar para um tema deste, Diogo Alarcão foi peremptório ao afirmar “sempre com amor”, porque, acrescentou “amor e gestão não são incompatíveis e portanto um gestor cristão deve exercer a sua função como gestor sempre olhando para o próximo, sempre com amor ao próximo e é possível”. 

O futuro do trabalho

De resto considerou, “a chave está muito nisso, numa liderança em que pessoa tem de estar no centro e há, com certeza decisões difíceis que por vezes são tomadas, mas que se nós tivermos presente que aquela pessoa tem de estar no centro das nossas decisões, estamos a gerir de uma forma diferente”.

Diogo Alarcão acrescentou ainda que as novas formas de trabalho vão ir muito para além do teletrabalho, que é uma consequência imediata do confinamento motivado pela pandemia. Em seu entender no futuro, “as organizações vão ser organizações híbridas em que vai haver pessoas em casa, um dia por semana, dois três, e outros que têm de estar sempre nas fábricas, nas grandes superfícies”. 

O futuro do trabalho, porém,“é muito mais do que isso e passará certamente por um fenómeno que está a crescer cada vez mais que são os nómadas digitais, que são jovens que querem viajar, mas ao mesmo têm que trabalhar, trabalham para várias organizações e não apenas para uma empresa, fazem um teletrabalho que muitas vezes é nómada, porque hoje estão num sítio e amanhã estão noutro”.

De acordo com o orador desta conferência“isso tem vantagens e oportunidades. Por um lado para as empresas que podem ir buscar conhecimento, competências aos Estados Unidos ou à Noruega, mas também é uma oportunidade para regiões como a Madeira, porque esses nómadas digitais procuram boa qualidade de vida, boas condições de acesso à internet, à cloud, boas comunicações em termos de transportes aéreos etc”.