Olhar o horizonte do tempo

D.R.

Advento é tempo para olhar o horizonte. 

Nós, madeirenses, estamos habituados a olhar o horizonte. Como poderia ser de outro modo? Diante de nós, para onde quer que nos voltemos, abre-se o mar grande, vasto, que convida a partir. A terra torna-se pequena quando, diante de nós, se abre um horizonte assim — quase que podíamos dizer: quando diante de nós se abre um horizonte infinito, não fosse sabermos que, do lado de lá, existem outras cidades, outros homens, terra firme.

É o que também nos acontece quando nos atrevemos a olhar o horizonte do tempo. Quando o fazemos, tal como a terra, o hoje torna-se pequeno; o presente mostra-se demasiado estreito… Sentimos, também aqui, o apelo a partir, a fazer-nos ao largo. 

Mas que existirá do outro lado? Que encontraremos no final deste nosso tempo — no final da nossa vida aqui, e no final deste nosso mundo, pois que, também ele, um dia irá desaparecer?

O Advento, esse espaço litúrgico que nos prepara para o Natal, para a Festa, diz-nos que, no fim do tempo (do nosso tempo e do tempo do mundo), encontraremos Cristo. 

É por isso que não temos medo de nos fazermos ao largo. De peregrinar no tempo. De crescer, de ser mais. De nos fazermos ao mar da vida — a esse mesmo que nos diz que nesta terra não encontraremos nunca morada permanente. Com a certeza de que, do lado de lá, Jesus nos espera.