O pequeno irmão

D.R.

Carlos é um explorador. Aos seis anos fica órfão e é entregue aos cuidados do avô materno. Aos 20 anos gasta com futilidades os bens herdados da sua família nobre e distancia-se completamente da fé recebida na infância.

Durante alguns anos dedica-se à vida militar no exército francês, mas o seu desejo de explorar países leva-o a realizar sozinho uma expedição geográfica em Marrocos. Chega a receber uma medalha de ouro da Sociedade Francesa de Geografia. Mas é o testemunho de fé dos muçulmanos que mais toca o seu coração.

De regresso a Paris, com 28 anos, começa uma intensa procura da fé. “Eu pus-me a ir à igreja, mesmo sem acreditar. Só aí me sentia bem. E passava longas horas a repetir esta estranha oração: Meu Deus, se existis, fazei que eu vos conheça”, diz numa carta a um amigo.

A conversão aconteceu com a ajuda de um sacerdote da igreja de Santo Agostinho, em Paris: “Quando acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver somente para Ele”, disse.
O diretor espiritual aconselha-o a fazer uma peregrinação à Terra Santa. Em Nazaré, Carlos deixa-se comover profundamente pela pobreza daquela cidade onde Jesus viveu uma vida escondida e anónima durante 30 anos, como humilde carpinteiro. No seu coração nasce o desejo de imitar Jesus.

Aos 32 anos, entra numa comunidade trapista onde permanece 7 anos. Depois volta à Terra Santa onde vive em grande simplicidade junto das Clarissas de Nazaré até à ordenação sacerdotal, com 43 anos, na Diocese de Viviers, França.

Parte para o deserto norte-africano e partilha o estilo de vida daquela população pobre, os Tuareg, identificando-se em tudo como um dos nativos. Sem falar explicitamente do Evangelho, a sua presença fraterna e amiga torna-se a maior evangelização: “Gostaria de ser bom para que se pudesse dizer: Se assim é o servo como será o Mestre?”, escreveu.

A 1 de dezembro de 1916, o “Irmão universal” foi assassinado por um grupo armado de passagem. Tinha 58 anos.

Na passada terça-feira, o Vaticano informou que o “pequeno irmão”, o beato Charles de Foucauld, vai ser canonizado a 15 de maio de 2022.