A esmola é ocasional, a partilha duradoira

D.R.

Para o Dia Mundial dos Pobres que vai decorrer no Domingo, o Papa Francisco publicou uma mensagem, dirigida a todos os cristãos. 

Intitulada: “sempre tereis pobres entre vós”, a mensagem constitui uma verdadeira interrogação acerca do modo como olhamos para os pobres que vivem ao nosso lado. 

Partindo do gesto, narrado por S. Marcos (Mc 14,9), de uma mulher que irrompe por uma refeição de Jesus e unge com perfume os pés do Senhor, o Papa coloca em contraste a atitude de alguns discípulos que condenam este gesto dizendo que era melhor dar esmola aos pobres, e a atitude da mulher que reconhece em Jesus “o primeiro pobre” e aquele que representa todos os pobres. A mulher, diz o Papa, mais que dar esmola, partilhou a sorte de Jesus: a esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoira, reforça a solidariedade.

O Papa Francisco convida-nos, assim, a partilhar com os pobres a nossa vida, a abrirmos o nosso coração e a manifestarmos um “estilo de vida coerente com a fé”, numa atitude de verdadeira conversão. 

Somos convidados não apenas a emprestar a nossa voz aos pobres mas a sermos seus amigos, a prestar atenção à presença de Jesus em cada pobre. “Os pobres estão no meio de nós”, diz o Papa. E continua: “Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação”.