Cónego Fiel deu posse ao Pe. Pascoal lembrando importância de dispormos o coração para servir a Igreja

Foto: Duarte Gomes

As comunidades paroquiais do Arco da Calheta, Loreto e Madalena do Mar receberam no passado domingo, dia 10 de outubro, o seu novo pároco, Pe. José Pascoal de Freitas Gouveia.

No Loreto, numa Eucaristia presidida pelo cónego Fiel de Sousa e concelebrada pelo Pe. Pascoal e pelo antigo pároco Pe. João Carlos Homem de Gouveia foram seguidos todos os passos que uma cerimónia desta natureza encerra.

A celebração começou com uma paroquiana a dar as boas vindas ao Pe. Pascoal, em nome de toda a comunidade, agradecendo-lhe pela “sua disponibilidade para o serviço desta comunidade do Loreto, porção do Povo de Deus da nossa Diocese do Funchal”. Acrescentou ainda que “contamos consigo e decerto poderá contar com a nossa disponibilidade, simplicidade e amor à Igreja de Jesus Cristo”.

Todas as mudanças, disse ainda a jovem, “são momentos dolorosos, mas são momentos ideais para crescermos como sacerdote e como comunidade, Igreja”, fazendo o caminho sinodal que pede o Papa Francisco.

Já o vigário geral aproveitou para, em nome de D. Nuno Brás, que ali representava, agradecer “todo o trabalho incansável, generoso e dedicado do sr. Pe. João Carlos”, mas também a disponibilidade do Pe. Pascoal para assumir estas novas paróquias.

Projeto de cariz social vai avançar

O cónego Fiel foi ainda portador da novidade de que, após uma reunião de elementos da Comissão de Obras da Paróquia do Loreto, que se realizou no Paço Episcopal, “há abertura da Diocese para que, a breve prazo, possa ser elaborado o projeto de cariz social para esta paróquia em terrenos pertencentes ao Seminário Diocesano, o qual manterá sempre a propriedade da casa e dos terrenos”. Esta, frisou, é para já “uma das tantas atividades que o sr. Pascoal terá de realizar”. 

Mais tarde, na homilia, o vigário geral lembrou que “todos temos dentro de nós um Sacrário” onde guardamos o Senhor. Referia-se ao coração de cada um, o lugar onde “se decide toda a nossa vida”. É por isso que devemos agradecer àqueles que “dispuseram o seu coração para servir a Igreja”, como o fez o Pe. João Carlos que ali serviu durante quase 13 anos.

Da mesma forma há que colocar agora, “sob a proteção de Maria, Senhora do Loreto e também de Jesus Cristo, o Seu filho, esta nova missão do sr. Pe. Pascoal”. Uma missão, frisou o vigário geral, “que é de servir a Igreja com o coração” e com um coração que, como o nosso, “não pode estar preso no sentido de não se abrir aos outros”. Isso mesmo dizia o Evangelho que relatava que por vezes “nós agarramo-nos, como aquele jovem que se agarrou ao dinheiro”. E quem diz ao dinheiro “diz a umas chaves, à fama, ao poder que queremos ter sobre os outros às nossas ideias”, impedindo “que outros entrem no nosso coração”.  

O jovem de que nos falava o Evangelho“era muito bom”, lembrou o vigário geral, no entanto “ainda não tinha o coração totalmente disponível para acolher a Deus na sua totalidade e a partir daí acolhera todos os irmãos”. 

Ao contrário do jovem do Evangelho, “os senhores padres estão aqui porque não estavam agarrados às paróquias, senão teriam dito ao sr. Bispo que não queriam sair; o seu coração estava livre para servir, para servir a Igreja onde eram chamados e com esse coração livre seguiram para a sua nova missão”, explicou ainda o Cónego Fiel.

Quanto à primeira leitura, também ela nos falava “da sabedoria do coração”, aquela que “vem da palavra de Deus” que é o “grande livro da nossa vida” e aquele que nos ensina a deixar tudo. “uma palavra que não pode ficar pela rama, pela superficialidade, mas que tem de ser aprofundada”. Que tem de chegar ao nosso coração, sem saltar páginas, e ser capaz de transformar e iluminar a nossa vida. 

Só então, acrescentou o cónego Fiel, alcançaremos a “sabedoria do coração”, como fez Salomão, e poderemos fazer a tal caminhada sinodal, que nos pede o Papa Francisco, com os nossos sacerdotes e com todos os nossos irmãos, ajudando a “criar consensos” e a fazer com que cada vez mais corações estejam disponíveis para ser “a casa de Deus”.  

Não vou esconder o nervosismo

“Confesso que não posso esconder ou então disfarçar o nervosismo porque, não obstante ser padre há 28 anos, o que é um facto é que não é todos os dias que mudamos de paróquia”, começou por dizer, quase no final da celebração o Pe. Pascoal.

No entanto, frisou, “como dizia a jovem no início desta celebração, se bem compreendi, toda a mudança é importante, nos faz crescer e amadurecer”.

O novo pároco recordou ainda os tempos de jovem padre, em que era pároco das vizinhas paróquias do Atouguia, de São Francisco e da Calheta, e era convidado pelo Pe. Anacleto Ferreira para as confissões e alguma festa. Diz que sempre encontrou “esta capela/igreja aprimorada, com cuidado no altar e nos arredores”. Foi por aí que começou os seus agradecimentos endereçando-os “às pessoas que ao longo destes anos foram aqui trabalhando, colaborando pelo cuidado, pela lindeza que encontramos nesta capela/igreja do Loreto”

Agradeceu também ao Pe. João Carlos, pelos quase 13 anos que aqui foi pároco, ao grupo coral e disse esperar, “se Deus quiser e as pessoas também ter este grupo muito mais vezes” durante o tempo que ali permanecer e que não se sabe quanto será. Aliás, frisou, o próprio pároco, “não gosto de estar muito tempo nas paróquias para não cansar as pessoas”, preferindo “enquanto Deus me der saúde e eu poder levantar os pés não estar aqui muito tempo e ainda conhecer mais alguma paróquia, nesta nossa pequena Diocese do Funchal”. 

De resto, lembrou o ditado popular que diz que “mais vale ser desejado do que aborrecido”, fazendo questão de referir que “seja como for estamos aqui para fazer caminho”, que uma andorinha só não faz primavera e que “se um padre é importante na comunidade, todos e cada um de nós somos importantes para fazer a Igreja, porque somos as pedras vivas, a partir exatamente do sacramento do batismo que recebemos. 

“Vamos procurar fazer este caminho na continuidade daquilo que os senhores padres anteriormente fizeram – o sr. Pe. Anacleto, o sr. Pe. Nascimento e o Sr. Pe. João Carlos – e agora este vosso irmão que quer e espera contar com todos, homens e mulheres, novos e menos novos, para podermos continuar a fazer esta nossa peregrinação e esta nossa construção enquanto igreja de Jesus Cristo”.

A terminar de referir que com esta tomada de posse do Pe. Pascoal Gouveia terminaram as tomadas de posse dos sacerdotes nomeados por D. Nuno Brás, no passado dia 31 de julho, para assumirem novas paróquias.