Fé e Ciência

Foto: Vatican Media

No dia de São Francisco de Assis, 4 de outubro, quarenta representantes das maiores religiões do mundo e um grupo de cientistas, reuniram-se no Vaticano para assinar o “Apelo Conjunto”, em vista à 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática – COP26, que decorrerá em Glasgow, Escócia, entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro de 2021. No texto, os signatários pedem ações mais ambiciosas da comunidade internacional. “Agora é o tempo para uma ação urgente, radical e responsável”. 

O Papa Francisco reconheceu que as diferenças das tradições espirituais de cada um não impediram o “espírito de fraternidade” e a “consciência de que somos membros duma única família humana”. 

“A COP26 de Glasgow é urgentemente chamada a oferecer respostas eficazes à crise ecológica sem precedentes e à crise de valores em que vivemos e, assim, dar uma esperança concreta às gerações futuras”, afirmou Francisco. 

O “Apelo Conjunto” considera que “a fé e a ciência são pilares essenciais da civilização humana” e que, juntos, devem enfrentar as ameaças que dizem respeito à casa comum. 

Entre as maiores preocupações dos cientistas, destaca-se o aumento da temperatura global. “Estamos a caminhar para um aumento da temperatura de mais de dois graus em relação aos níveis pré-industriais”. 

Esta crise que afeta a todos, é mais preocupante para os mais pobres, mulheres e crianças dos países mais vulneráveis, que são os menos responsáveis por este fenómeno. Não se trata apenas de um problema ambiental, mas também de “um desafio moral”. 

“Devemos afrontar estes desafios usando o conhecimento da ciência e a sabedoria da religião”. Para isso é preciso arrancar as “sementes dos conflitos: ganância, indiferença, ignorância, medo, injustiça, insegurança e violência”, que são as principais razões para a perda da biodiversidade e da saúde dos ecossistemas dos quais depende a sobrevivência humana.