“Eis o teu filho”

D.R.

Quando, na cruz, prestes a morrer, Jesus deu a sua Mãe a missão de cuidar do discípulo como se fosse seu filho, a troca não foi entre iguais. 

Tal como Jesus se entregou nas mãos do Pai, também Maria entregou nesse momento o seu Filho, o Deus feito Homem. Entregou nas mãos do Pai aquele Jesus que ela tinha trazido em seu ventre; Aquele que tinha visto ser adorado seja pelos pobres pastores, seja pelos sábios reis. Entregou Aquele que, também ela, tinha seguido nos caminhos da Galileia; que ela tinha escutado, discípula por entre os discípulos; que ela tinha servido e acompanhado naquele grupo de mulheres que andava com o Senhor.

Entregou nas mãos do Pai o Verbo de Deus para receber em troca um simples homem, pecador e necessitado de salvação. Mas não recuou nem recusou. O discípulo, diz o Evangelho, recebeu-a em sua casa. E Ela, sabemos nós, recebeu o discípulo no seu coração. 

Aliás, recebeu bem mais que aquele discípulo. Recebeu todos os discípulos, de todos os tempos. Mãe dos cristãos, Mãe da Igreja. Mãe que cuida, que intercede, que aponta os caminhos, que chama a atenção. Mãe que ama estes discípulos pecadores e fracos que somos nós com a mesma intensidade e o mesmo amor, o mesmo cuidado com que amou a Jesus.

Que o diga o povo do Funchal, que nestes dias celebra Nossa Senhora do Monte: a sua intercessão, o seu cuidado, o seu “patrocínio”. 

Com os primeiros cristãos, também nós lhe queremos dizer: “À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”.