Cónego Fiel presidiu às tomadas de posse dos padres João Carlos e Afonso Rodrigues 

Foto: Duarte Gomes

As comunidades paroquiais da Ilha, de Santana, São Gonçalo e Santa Maria Maior receberam, nos passados dias 2 e 3 de outubro, os seus novos párocos, padres João Carlos Homem de Gouveia e José Afonso Nóbrega Rodrigues, respetivamente.

Coube ao vigário geral, cónego Fiel de Sousa presidir, em representação do bispo do Funchal, a estes importantes atos para as comunidades que, ao seu jeito, procuraram acolher da melhor forma os novos sacerdotes. 

Em Santana, ao fim do dia de sábado e depois de já ter tomado posse na Paróquia da Ilha, o Pe. João Carlos foi recebido com um tapete de flores e as palavras de boas-vindas de uma paroquiana em representação da comunidade. 

Na homilia desta celebração, que contou com a presença dos presidentes da Câmara e da Junta, o cónego Fiel falou da importância destes gestos calorosos, mas lembrou à comunidade que o padre vai ter de contar com ela não apenas neste dia, mas durante todo o tempo que ali estiver.

Presentes na celebração estavam também os pais do Pe. João Carlos, a quem o vigário geral agradeceu por serem o suporte e a retaguarda, sempre disponíveis para escutar e apoiar o filho nos momentos mais complicados.

Refletindo sobre o Evangelho, que nos falava da fidelidade matrimonial estável e indissolúvel, eterno, portanto, o cónego Fiel lembrou que esse amor eterno, ao contrário do que se possa pensar, não é só para os casais. Nós sacerdotes, explicou, “também fizemos um compromisso de uma entrega total ao Senhor para uma vida inteira, com todas as consequências que isso implica”.

E quando assim é, a vida de cada um é “uma vida feliz”, acrescentou o vigário geral, que agradeceu “ao Pe. João Carlos e ao Pe. Afonso, por este sim que deram ao senhor”. Um sim, prosseguiu, “que depois é concretizado nos diversos lugares que o senhor nos chama” e “sempre com todo o amor”, porque “não todas as paróquias são diocese” e porque “não há gente de primeira e gente de segunda, somos todos iguais e filhos de Deus, como dizia a segunda leitura”. 

“O sr. Pe. João Carlos veio para esta grande terra que é Santana, que tem como oragos são Joaquim e Santa Ana, os pais de Nossa Senhora. É um lugar onde se encontra a força para as famílias que é uma das grandes coisas em que queremos apostar, na família que é comunidade paroquial”, explicou o cónego Fiel que pediu aos fiéis que não queiram trabalhar sós, mas em comunidade, em família para que daí resulte uma comunidade coesa e feliz.

“O Pe. João Carlos está aqui para vos fazer felizes, mas vocês também têm de ajudar o pe. João Carlos, como ajudaram o Pe. Afonso a ser feliz”, frisou para logo acrescentar que “isto é o básico da vida da comunidade”. 

O cónego Fiel terminou exortando a assembleia a “pedir ao Senhor pelo Pe. João Carlos e por esta comunidade, acreditando cada vez mais que o mundo precisa de bem-estar, mas esse bem-estar não se pode adquirir sem a ajuda de Deus”, porque “não somos nada sem Deus”. Ao Senhor pediu também que “nos dê muitas vocações sacerdotais e religiosas e muitas vocações matrimoniais, porque é delas que nascem os filhos”, possíveis sacerdotes.

O padre faz a paróquia e vice-versa

No final da celebração em que recebeu, em momentos próprios, o evangeliário e a chaves do Sacrário o Pe. João Carlos também dirigiu algumas palavras aos seus novos paroquianos. Começou por “agradecer a Deus por tudo aquilo que Ele me tem concedido, por este ministério ao serviço da Igreja, das várias paróquias por onde passei e agradecer por tudo, as provações as alegrias”.

Agradeceu também ao Pe. Afonso, “por todo o trabalho feito nesta paróquia ao longo destes 11 anos, pela sua frontalidade, ajuda, humanidade e fraternidade” e aos pais por “todo o apoio incondicional que me têm dado”. 

Por fim agradeceu “a todas as pessoas presentes, às entidades públicas, à banda ao grupo de folclore às empresas, às instituições religiosas, às irmãs, às confrarias do Santíssimo e de Santa Ana, aos movimentos e a cada um dos cristãos aqui presentes”.

Agradeceu ainda as palavras calorosas, ditas ao início, e dirigidas a uma pessoa que não conheceis”, mas que “aquecem o coração”, frisando que “o tempo, que a Deus pertence, será precioso para nos conhecermos”, acrescentando que “cada um de nós no que somos, no que fazemos, no que dizemos, vamos nos revelando, nas linhas e nas entrelinhas”. 

Terminou lembrando que “o padre faz a paróquia, e a paróquia faz o padre” e relevando o papel de cada um e a importância de cada um fazer a sua parte”. De resto, acrescentou, “se não o fizermos, vamos estar a demitir-nos da nossa missão como filhos de Deus e irmãos em Jesus Cristo”.

Frisou ainda que “é importante entrarmos em relação uns com os outros sem (pré)conceitos, de nada nem de ninguém e na presença de Deus irmos aproveitando cada hora e cada dia para revelarmos aquilo que somos”, tendo ainda lembrado que “o padre é uma pessoa com sorrisos e carrancudo, com forças e cansaços, com coragem e com medo, virtudes e defeitos, com alegrias e tristezas”, mas que com a força de Santa Ana e São Joaquim e “todos juntos podemos levar este barco a bom porto”.

Amor eterno e intemporal

No domingo, em São Gonçalo, foi a vez do Pe. Afonso Rodrigues ser acolhido pelos seus paroquianos. Houve de novo um tapete de flores e palavas de boas-vindas. 

Na sua homilia, o vigário geral voltou a refletir sobre as leituras, nomeadamente sobre a questão do amor eterno, que o é, explicou, “porque é total e é intemporal”. 

E este amor, “não é só para os casais”, mais também para o sacerdote daí que nesta celebração os sacerdotes renovem as promessas feitas no dia das suas ordenações esta “totalidade e esta intemporalidade”. 

“Agradecemos ao Pe. Afonso esta disponibilidade como também ao Pe. Pascoal, agradecemos também a ambos, este dom maravilhoso de terem aceite o sacerdócio de Jesus Cristo e ao Pe. Pascoal todo o trabalho feito nesta paróquia de unir as pessoas e fazer com que elas vivam num amor total e intemporal, sem divórcios e divisões”. 

Lembrou ainda que a família sacerdotal não dispensa a família de sangue que é a sua retaguarda, aquele porto seguro onde o sacerdote pode voltar sempre que a sua vida assim o exigir. 

Agradeceu o acolhimento feito ao Pe. Afonso, frisando que “nós não vivemos sozinhos” e que mostrar isso mesmo é uma das missões do sacerdote, como o é mostrar que todos nós precisamos de Deus.

O vigário geral concluiu a sua reflexão lembrando que “a felicidade depende da doação, da entrega e da intemporalidade que nós damos aos outros” e que o Pe. Afonso não está ali “porque quer ser feliz, mas porque quer fazer felizes todos os paroquianos e nessa medida ele também vai ser feliz”.

Comunhão, participação e responsabilidade

Já o Pe. Afonso Rodrigues agradeceu a todos os presentes sublinhando que “ao longo do tempo que estiver convosco gostaria que vivêssemos três palavras: comunhão, participação e responsabilidade cristã.

“Se todos nós procurarmos isto, vamos continuar a construir uma grande comunidade paroquial”, frisou o sacerdote para logo dizer aos paroquianos que conta com eles, mas que eles também podem contar consigo.

O Pe. Afonso agradeceu depois a todas as instituições presentes, com as quais também espera contar para construir a comunidade cristã, a todos os familiares e amigos presentes. Disse que reza por todos, porque “a oração é a grande energia na nossa vida” e lembrou que “se queremos ser uma verdadeira comunidade cristã e verdadeiros cristãos, não deixemos um dia que seja sem rezar uns pelos outros”

O novo pároco de São Gonçalo, que tomaria depois posse também em Santa Maria Maior, terminou dizendo estar ali para “dar o melhor que sei e puder”, contando “com todos e cada um de vós”.