Um pouco de história para contextualizar…

São Cirilo e São Metódio

Na manhã do dia 12, antes de ir a Bratislava, o Papa Francisco concelebrou a missa de encerramento do Congresso Eucarístico Internacional em Budapeste, na Hungria, e de tarde dirigiu-se para a Eslováquia. A segunda viagem apostólica em 2021 e a quarta visita de um Pontífice àquele país, após as três viagens de João Paulo II que foi a Bratislava em 1990, visitou a República Eslovaca independente em 1995 e 2003.

O território correspondente à atual Eslováquia começou a ser colonizado pelos celtas por volta de 450 a.C. A partir de II d.C., o Império Romano, em expansão, ergueu e manteve uma série de postos militares ao norte do Danúbio. Os eslavos ocuparam o território no século V. No século VII, o oeste da actual Eslováquia passou a ser o centro do Império de Samo.

Um Estado eslavo, conhecido como Principado de Nitra, surgiu no século VIII e seu governante, Pribina, consagrou a primeira igreja que formou o cerne do Grande Império Morávio. Com a chegada de São Cirilo e de São Metódio, em 863, o Império conheceu um tempo de paz e de desenvolvimento material e espiritual.

No século X, os magiares anexaram gradualmente o território da actual Eslováquia que foi sendo integrado ao longo de dois séculos, no Reino da Hungria. A composição étnica diversificou-se com a chegada dos alemães dos Cárpatos, no século XIII, e dos valáquios, no século XIV, para além dos judeus.

As cidades medievais, em consequência da imigração alemã e judaica, tornaram-se florescentes com a construção de vários castelos de pedra e o desenvolvimento das artes.

Com a expansão do Império Otomano em território húngaro e a ocupação de Buda no início do século XVI, a capital do Reino da Hungria (com o nome de Hungria Real) transferiu-se para Presburgo (a actual Bratislava) em 1536. Mas as guerras com os otomanos e as frequentes revoltas contra a monarquia dos Habsburgos também causaram destruição, em especial nas áreas rurais.

A importância da região diminuiu quando os turcos saíram da Hungria no século XVIII, embora Presburgo mantivesse a sua posição como capital do reino até 1848, quando o governo foi transferido para Budapeste. Durante a revolução de 1848-49, os eslovacos apoiaram o imperador austríaco, com a intenção de se desligarem da Hungria (então parte do Império Austríaco), mas sem sucesso. Durante a Monarquia Austro-húngara (1867–1918), o governo húngaro impôs um processo de “magiarização” à população eslovaca.

Em 1918, a Eslováquia, com a Boémia e a Morávia, formaram um Estado único, a Checoslováquia, cujas fronteiras foram confirmadas pelos tratados de Saint Germain e de Trianon. Em 1919, durante o caos resultante da fragmentação da Áustria–Hungria, a Eslováquia foi atacada pela República Soviética da Hungria e um terço do território eslovaco tornou-se temporariamente a República Soviética da Eslováquia.

Durante o período entre as duas grandes guerras, a democrática e próspera Checoslováquia esteve sob contínua pressão dos governos revisionistas da Alemanha e da Hungria, até ser desmembrada em 1939, como resultado do Acordo de Munique celebrado no ano anterior. O sul da Eslováquia foi entregue à Hungria nos termos do Primeiro Laudo Arbitral de Viena.

Sob pressão da Alemanha Nazi, a Primeira República Eslovaca, chefiada pelo fascista Jozef Tiso, declarou-se independente da Checoslováquia em 1939. Aos poucos, o governo tornou-se um regime fantoche da Alemanha. Um movimento de resistência aos nazis lançou-se numa feroz revolta armada em 1944. Seguiu-se uma sangrenta ocupação alemã e uma guerra de guerrilha. A maioria dos judeus foi deportada e desapareceu nos campos de concentração alemães durante o Holocausto.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Checoslováquia foi restabelecida e Jozef Tiso, enforcado em 1947, por colaborar com o nazismo. Mais de 76 000 húngaros e 32 000 alemães foram obrigados a abandonar a Eslováquia, numa série de transferências de populações definida pelos Aliados na Conferência de Potsdam.

A Checoslováquia ficou sob a influência da União Soviética após um golpe em 1948 e foi ocupado pelas forças do Pacto de Varsóvia em 1968, pondo fim à Primavera de Praga. Em 1969, a Checoslováquia tornou-se uma federação da República Socialista Checa e da República Socialista Eslovaca.

Com o fim do regime comunista na Checoslováquia em 1989, durante a pacífica Revolução de Veludo, seguiu-se novamente a dissolução do país, desta vez em dois Estados sucessores.

Michele Bonheur
Tradutora