Um dos exemplos de fé e camaradagem dos militares que serviram no Ultramar

D.R.

Consta que nos anos (1954-1961) na Índia, e nos anos (1961-1975) no Ultramar, estiveram a prestar serviço cerca de 30 mil militares madeirenses. Uns iam integrados em Companhias Independentes  e Batalhões  formados na Madeira e outros iam integrados em Batalhões formados no Continente Português, com a intenção de defender a integridade dos território Português,  que tinha parcelas em todo o mundo.

As companhias, normalmente eram formadas por soldados madeirenses, mas os  Sargentos e Oficiais  eram do Continente, pois a Madeira não tinha pessoal qualificado suficiente, apara assumir funções de comando para tantas companhias. Poderíamos falar  da história e episódios de outras companhias, mas hoje queremos falar da companhia de Caçadores 2570 que partiu da Madeira em 1969 e regressou à Madeira em 16 de Setembro  de 1971. Portanto, no próximo dia 16 de setembro esta companhia celebra 50 anos que  regressou de Angola no navio “Vera Cruz”. Celebra, assim, as chamadas «bodas de ouro» do seu regresso.  Esta Companhia formada por militares da Madeira e Continentais, antes  de partir para Angola, passou por Fátima e comprou uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que  acompanhou  os militares durante o tempo de serviço da Companhia em Angola. No regresso, todos os militares da Companhia  trouxeram a sua  bagagem em malas e não esqueceram de trazer também a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Quando chegaram ao Funchal, as famílias  estavam  à espera  para saudar os seus familiares. As malas foram transportadas para o RIF (atual RG3) em S. Martinho. Os militares, conforme indica a fotografia, aqui referida  formaram perto da Pontinha e foram a desfilar até  à rotunda da «Minas Gerais» onde  os esperavam  as viaturas militares. Chegados  ao quartel, em S. Martinho, após as cerimónias habituais, cada um dos militares foi à procura das suas malas para as transportar para as suas residências. Mas havia uma mala que continha a imagem de Nossa Senhora de Fátima No meio daquela confusão ninguém se lembrou de procurar onde estava a mala que continha a Imagem de Nossa Senhora de Fátima. Houve alguém que aproveitou aquela confusão e apoderou-se da mala onde estava a imagem.  Passaram-se 50 anos e ninguém soube onde estava essa imagem, pois alguém que possui essa imagem  nunca revelou o seu paradeiro.

Mas a fé dos militares vivos da Companhia 2570 não se esqueceu dessa imagem protetora. e fizeram questão de terem em sua companhia uma réplica dessa imagem no dia que celebram 50 anos da sua chegada ao Funchal. Mandaram fazer uma réplica dessa imagem numa casa da especialidade, em Vila do Conde, e vão desfilar em frente do RG, acompanhados dessa  réplica, colocada num andor, e entrarem pela porta de Armas do RG 3 com o guião respetivo, em direção à sala – museu do RG3 e coloca-la numa estante, ao lado da imagem de Nossa Senhora de Fátima da Companhia de Caçadores 2571.

No dia  18 deste mês haverá  um almoço-convívio no restaurante da “Encumeada.

Antes do almoço haverá uma homenagem no RG 3 com o seguinte programa:

9h30 – Concentração em frente do RG 3.
10 h –  Homenagem  aos mortos  e  deposição de um ramo de flores.
10h30 – Entrada na sala-museu do RG 3  e bênção da Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
11h- Beberete na Sala de Oficiais do RG 3.
12h30 – Almoço  no restaurante «Encumeada» onde a imagem estará presente.

Desejamos  muitas felicidades, aos organizadores e participantes deste evento.

Se a imagem original ainda estiver na casa de alguém, a sala-museu do RG3 ainda tem espaça para recebê-la. Aqui se aplica a frase de Cristo: «Se tiveres fé, podes mover montanhas».

 Pe. António Francisco Gonçalves Simões (Coronel Capelão)