“Não seja assim entre vós” (Mt 20,26)

D.R.

O convite que, naquele tempo, Jesus fez aos seus discípulos é o convite que ainda hoje Ele realiza à sua Igreja, a este novo povo surgido das águas do baptismo, e de que todos os cristãos fazem parte. Jesus referia-se ao modo como habitualmente as pessoas se relacionam umas com as outras; e mandava que os cristãos vivessem de forma diferente. 

No mundo, quem tem poder, seja pela força do seu estatuto político ou social — ou até porque recebeu mais votos, como no caso das sociedades democráticas — impõe a sua vontade aos outros. Jesus, ao contrário, convidava a que, na Igreja, entre os cristãos, não seja o poder (nem sequer o poder da maioria) o critério para nos relacionarmos uns com os outros. 

Entre os cristãos (nas famílias, nas paróquias, na diocese, na Igreja universal), a lei, o critério há-de ser, em primeiro lugar, a caridade. Quer dizer: as atitudes, as palavras de cada um hão-de ser comandadas pela resposta à questão sobre o que é melhor para os irmãos. As atitudes, as palavras, as decisões hão-de ser tomadas a partir da percepção daquilo que mais ajuda o outro a caminhar para a salvação.

Mas o perigo permanece: o perigo de, entre nós, deixarmos que os critérios sejam os do mundo que nos rodeia. São estes critérios do mundo que fazem surgir a mentira, o ódio, os abaixo-assinados, as conversas mesquinhas… É o perigo de pensarmos primeiro em nós, nos nossos gostos, nas nossas opiniões, na nossa vontade e só depois no bem do próximo. “Não seja assim entre vós”, continua hoje Jesus a dizer-nos.