Paróquia da Piedade: D. Nuno Brás presidiu às Eucaristias da Vigília e da Festa do Santíssimo Sacramento

O bispo do Funchal presidiu ao fim da tarde de domingo, dia 5 de setembro, à Eucaristia da Festa do Santíssimo Sacramento, na paróquia da Piedade, no Porto Santo.

Na homilia da celebração deste domingo, D. Nuno Brás sublinhou que esta festa “convida-nos a meditar naquilo que significa, naquilo que é e sobretudo naquilo a que nos chama a Eucaristia”.  

Neste contexto, explicou, a Eucaristia convida-nos em primeiro lugar “a darmos atenção àquilo que é essencial”, isto é, “no pão e no vinho”. 

Depois convida-nos também a nos irmos deixando transformar porque sabemos bem e aqui o Porto Santo sabe isso bem porque foi terra de produção de trigo que o pão não nos aparece do nada. O trigo precisa de ser colhido, transformado em pão para poder ser alimento. A Eucaristia convida-nos, já por si, a isto mesmo: a não ficarmos parados”.

“Muitas vezes nós achamos que isto de ser cristão é assim como ir ao supermercado comprar uns pozinhos de vida cristã e está tudo feito”, constatou depois o bispo diocesano, para logo acrescentar que as coisas não funcionam bem assim porque em cada dia nós somos convidados a deixarmo-nos converter, a mudar a nossa vida”.

A Eucaristia convida-nos ainda a “sermos para os outros, porque o pão é para ser repartido e distribuído e nós não podemos ficar com ele só para nós”. 

Depois e para além de todas estas realidades humanas, a Eucaristia convida-nos “antes de mais nada e acima de tudo a vermos esta presença constante de Jesus Cristo no meio de nós”. Ele que se identifica com a Eucaristia, com aquele pão e aquele vinho que, verdadeiramente são o corpo e o sangue do Senhor, “alimento para a nossa vida, alimento para a nossa fé, que seria muito mais pobre “se não tivesse à disposição esta presença do Senhor”.

“Quando saímos da Missa levamos o Senhor, somos sacrários vivos do Senhor, verdadeiramente presença de Jesus Cristo no Mundo, verdadeiramente Jesus Cristo em Nós, que nos convida a ser mais, a sermos para os outros, a dar testemunho de Deus no meio de nós, nós com Deus, Deus connosco”, frisou.

Finalmente, a Eucaristia “convida-nos a olhar para Deus e a não ficar simplesmente nesta realidade humana, por muito importante que ela seja, convida-nos a irmos mais longe, assim como nos convida a descobrir naquele pedaço de pão a verdadeira presença do Senhor” e a deixar que “a nossa vida seja vivida com os olhos e o nosso coração sempre em Deus, sempre no céu sabendo que é aí, junto de Deus, o nosso destino, o nosso lugar”.

A Eucaristia, disse a terminar o prelado, “deve dar forma à nossa vida, à nossa vida humana, à nossa vida cristã. Ela deve ser “a forma da nossa vida”.

D. Nuno Brás concluiu a sua reflexão exortando a assembleia a “celebrar esta presença de Deus connosco, esta presença de Deus no meio de nós, celebremos esta presença que nos convida ao essencial, esta presença que nos convida a deixar transformar, a dar atenção aos outros, esta presença de Cristo ressuscitado no meio de nós a dar-nos vida, a dar-nos a sua vida e coloquemos sempre, a cada dia que passa, o nosso coração junto de Deus, no céu, sabendo que é para aí que caminhamos e que, por isso mesmo, havemos de nos transformar e transformar tudo aquilo que está à nossa volta neste amor de Deus”.

Despertar os ouvidos da fé

Na Véspera desta festa, o bispo do Funchal presidiu também à Missa da Vigília, no decorrer da qual lembrou que “os milagres que Deus faz são milagres que nos dizem sempre qualquer coisa”. 

Exemplo disso é o milagre de que nos falava neste dia o Evangelho de São Marcos (Mc 7,31-37), que contava o episódio do homem que não ouvia nem falava, mas que ao deixar-se identificar por Jesus e ao se identificar com Ele começou a ouvir e a falar.

Este milagre mostra-nos que “muitas vezes andamos surdos à voz de Deus”, explicou D. Nuno, para logo acrescentar que “estar disponível para a voz de Deus, significa deixar que Deus nos corrija e nos dê uma outra vida”. 

O que habitualmente acontece é que “escutamos tudo aquilo que gostamos”, mas nem sempre o que vem de Deus é aquilo de que gostamos e “este é que é o problema” e a verdade é que quando Deus fala connosco, quando Ele vem ao nosso encontro e nós nos deixamos encontrar por Ele, “Ele não nos deixa nunca ficar iguais”. E “nós gostamos muito pouco de mudar na nossa vida”.

É por isso que é fundamental “escutar Deus e deixar que a sua palavra entre na nossa vida, passe a fazer parte dela e a modifique”. E Deus fala-nos, lembrou, de formas tão variadas que é preciso “estar atento”, para perceber o que Ele quer de nós e de que forma podemos ser uns para os outros, sem fazer distinção de ninguém. 

O nosso problema é que não nascemos, como o homem do Evangelho, com uma deficiência física, mas antes com “uma deficiência de acolher Deus, de ouvir Deus no nosso coração”. Essa deficiência explicou, é bem mais grave” e só os que ouvem e deixam que a palavra de Deus os transforme são capazes de anunciar, de dar testemunho de Jesus Cristo onde quer que estejam.

D. Nuno terminou a sua reflexão frisando que “o Evangelho de hoje nos convida verdadeiramente a despertar os nossos ouvidos, os ouvidos da fé, os ouvidos do nosso coração para escutar este Deus que vem até nós, que se quer encontrar connosco, que quer transformar a nossa vida e que quer ser verdadeiramente Deus connosco e no meio de nós”.