Missa Exequial do Pe. Rafael: D. Nuno Brás recordou sacerdote inquieto e sempre com vontade de trilhar novos caminhos  

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu este sábado, dia 4 de setembro, à Missa Exequial do Pe. Rafael Andrade, que faleceu no passado dia 31 de agosto, aos 86 anos.

Uma oportunidade para o prelado começar por sublinhar que um sacerdote é “presença do céu na terra” e por agradecer “hoje ao Senhor todos os dons que Ele deu à nossa diocese através do Pe. Rafael”, mas também “agradecer o seu ministério, o seu testemunho cristão, a sua amizade”. 

Na homilia, D. Nuno Brás lembrou que “quando somos confrontados com a morte de alguém e com esta realidade de que, mais cedo ou mais tarde, todos nós havemos de morrer assalta-nos ao coração este pensamento de que por muito que façamos, por muito boas obras que possamos ter realizado somos sempre perdedores porque, ao fim e ao cabo, todos nós havemos de ser derrotados por esta realidade da morte”. 

Era dessa realidade que nos falava da primeira leitura, a qual nos mostrava também que a misericórdia do Senhor permanece para sempre, sendo este “o único pensamento que nos pode dar alguma consolação”. De resto, “essa é a realidade que vivemos na nossa vida: se é certo que a morte é uma certeza, muito mais certo do que a morte é a misericórdia do Senhor, esta palavra de bondade, de luz esta palavra de amor que nos vem do próprio Deus”.

Por isso mesmo, acrescentou o prelado, “diante da morte podemos agarrar-nos a essa misericórdia” e “sustentar-nos e erguer-nos por essa misericórdia do Senhor que não desaparece, que teima em estar presente e que por isso mesmo estará presente também e até no momento da morte”.

Já o Evangelho ia “mais longe” e mostrava-nos que “todos aqueles que o Pai me deu Eu não hei-de perdê-los” e este é “o acontecimento cristão de um Deus que se faz homem, de um Deus que experimenta a morte, de um Deus que derrota a própria morte, de um Deus que envolve, que nos envolve a nós seres humanos nesta sua vitória de morte”.

É esse acontecimento cristão que “nos faz viver e que faz com que olhemos para as vitórias e as derrotas, que marcam a nossa vida sobre a terra, com um outro olhar de uma outra perspetiva, que é a perspetiva de Deus”.

“Ao longo da nossa vida temos muitas vitórias, temos muitas derrotas, mas todas elas ganham um novo sentido quando percebemos que Cristo partilha connosco a sua vida eterna e que, por isso mesmo, também nós somos envolvidos neste dinamismo de vida eterna que é o dinamismo de Deus connosco”, frisou, para logo acrescentar que é “esta certeza da vida eterna, que nos dá força e nos dá ânimo, nos faz relativizar as nossas conquistas e as nossas alegrias e nos faz perceber que as nossas derrotas, mesmo aquelas que parecem definitivas, não o são porque no final existe a vitória de Deus e daqueles que com Deus partilham a vida”.

A vida de um sacerdote resume–se a isto mesmo, explicou ainda D. Nuno Brás na homilia desta Eucaristia, concelebrada por vários sacerdotes da Diocese do Funchal. Ser “presença desta vitória de Deus sobre a morte em nós, connosco, por nós”, disse.

“Queremos por isso agradecer tudo aquilo que foi o ministério e a atividade pastoral do senhor Pe. Rafael assim neste quotidiano, neste dia a dia, nesta capacidade que ele tinha de olhar e procurar o novo”, sublinhou o bispo diocesano que recordou o sacerdote como sendo uma pessoa inquieta, que não queria parar, mesmo nos últimos tempos da sua vida.

“Queremos agradecer essa sua atividade, queremos agradecer aquilo que foi a presença de Deus, a presença da misericórdia, a presença do amor, a presença da vida de Deus que se manifestou através da vida do senhor Pe. Rafael, nas suas atividades pastorais, nas suas palavras na sua vontade de trilhar novos caminhos, também no próprio diálogo ecuménico”, disse.

O prelado prosseguiu desejando que, à sua semelhança, “possamos também nós “professar a fé na vida eterna”, o que significa “percebermos que já agora, essa vida eterna se torna presente e se torna presente, na palavra de Deus, nos sacramentos, na vida da Igreja”.

D. Nuno Brás terminou a sua reflexão pedindo à assembleia composta por familiares e amigos do sacerdote falecido que, num momento de silêncio, “agradeçamos a vida e o ministério do Pe. Rafael e peçamos que também nós, cada um de nós seja capaz de viver não no horizonte passageiro da nossa vida, mas no horizonte da vida com Deus e em Deus, que Jesus Cristo nos ganhou e nos oferece”.

Terminada a Eucaristia, os restos mortais do Pe. Rafael Andrade seguiram para o Cemitério de São Martinho, onde foram sepultados no jazigo da Diocese do Funchal.