Pedrada no charco

D.R.

A ordenação de um sacerdote é sempre um acontecimento que não nos pode deixar indiferentes.

Antes de mais, uma ordenação sacerdotal mostra uma presença de Deus — clara, permanente, sacramental — no tecido da nossa história. 

O nosso modo de viver parece hoje condenado à repetição de maneiras de pensar, de ideais de vida e de atitudes concretas que nos são propostos todos os dias pela comunicação social ou pelas redes sociais. Querem-nos reduzir a fotocópias uns dos outros — melhor: a fotocópias de uma qualquer estrela do cinema, ou ídolo do desporto. Distraem-nos com o ruído, com a repetição de ideias, com o silêncio com que querem calar Deus.

No meio das águas paradas deste nosso modo de viver, Deus faz acontecer um sacramento, uma presença visível, mostrando que não lhe somos indiferentes, que Ele continua a querer encontrar-nos, por muitas recusas, infidelidades e blasfémias em que o nosso tempo é tão abundante.

Mas, por outro lado, uma ordenação sacerdotal mostra também que hoje ainda existem homens que não se conformam com o marasmo em que se reduziu o nosso quotidiano. Uma ordenação sacerdotal mostra que é possível responder a Deus e acolher a sua vontade. Mostra que hoje continua a ser possível viver inconformados com este mundo, e olhar primeiro para Deus.