D. Nuno: São João Paulo II mostrou-nos que ser Santo é o normal da vida do cristão 

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás visitou na tarde de terça-feira, dia 18 de maio, a paróquia do Atouguia onde presidiu a uma Eucaristia com que se assinalaram os 101 anos do nascimento de São João Paulo II.

No início da celebração o prelado lembrou que naquela igreja se encontram as relíquias de São João Paulo II, “o Papa das nossas vidas”, o que é, frisou, um motivo de “orgulho bom”.

Na homilia da celebração, o bispo do Funchal recordou o Papa polaco como sendo um homem “muito amável” e “muito justo”, mas “não era fácil”. Era “um bom homem mas com as suas especialidades”. Tanto assim, que muitos não foram capazes de o entender e “lhe faziam guerra”. Entre eles, havia um jornalista português que, contou D. Nuno, “tinha muitas reticências à figura e ao ensinamento de São João Paulo II”.

Um dia, esse jornalista teve oportunidade de privar mais de perto com o Papa e no final do encontro disse a D. Nuno Brás que, de facto, aquele homem era especial.

“Creio que é isto mesmo que todos nós que tivemos a graça de estar assim com o Santo Padre, e eu tive essa graça, sentimos”, assegurou D. Nuno, para logo acrescentar que São João Paulo II era “um homem verdadeiro”. Um homem “de carne e osso, mas que da sua presença, daquilo que ele dizia, da maneira como ele estava nós percebíamos que estávamos na presença de Deus e era isso que fazia a diferença”.

“É a santidade que faz a diferença, porque ser santo mais não é do que ser homem de Deus”, explicou. O mesmo é dizer “deixar que Deus transforme a nossa vida, deixar que Deus partilhe a nossa vida e querermos nós partilhar a vida de Deus”.

E o mundo precisa de santos, de jovens santos como dizia João Paulo II. Jovens santos que estejam nas discotecas, no trabalho, na escola. O mundo precisa de homens e mulheres, acrescentou D. Nuno, diante de quem “sejamos capazes de dizer Deus está connosco, Deus vive a nossa vida, Deus está presente”.

Se ainda aqui estivesse, São João Paulo II certamente nos diria para não termos medo de ser santos. De resto, salientou o prelado, “ser santo é o normal da nossa vida de cristãos”. Ser santo é “viver com Jesus Cristo e ser presença de Jesus Cristo”.

Daí o apelo, a terminar esta sua reflexão, para que “São João Paulo II nos ajude, a cada um de nós, a sermos santos, porque os santos não são gente do outro mundo, não são gente fora do comum” e que “ele nos ajude a ser santos, assim, nesta normalidade da vida”.

Reflexão sobre “a alma do Papa”

A anteceder a Eucaristia, em que participaram representantes das principais entidades do concelho da Calheta, nomeadamente o presidente da autarquia, D. Teodoro de Faria proferiu uma pequena conferência no decorrer da qual falou sobre “a alma do Papa, sobre a sua espiritualidade e sobre a maneira como ele conquistou o mundo”.

Depois de lembrar que foram precisos sete anos para “tirar todas as dificuldades que existiam” à vinda de João Paulo II, entre elas as dimensões do aeroporto, D. Teodoro lembrou que João Paulo II foi “um homem que nasceu num mundo de muitas contradições, que hoje já não podemos imaginar”.

Disse ainda que “João Paulo II tinha a audácia dos profetas da Bíblia” e que “perante uma sociedade muito atarefada na procura do bem-estar exagerado, tempera esta avidez com a prudência evangélica do bom pastor e convida os chefes das igrejas locais e o povo Cristão a modelar o seu coração segundo o amor de Deus e serviço aos irmãos”.

O bispo emérito disse ainda que “o que o Papa João Paulo apregoou em todos os continentes, foi o que o Magistério da Igreja sempre ensinou, mas de uma forma nova”, apresentando “uma visão do Evangelho à luz da consciência cristã e espiritualidade eslava própria do seu tempo”.

Depois de lembrar que João Paulo II visitou todos os santuários marianos do mundo por onde passou, D. Teodoro lembrou que na Madeira a imagem de Nossa Senhora do Monte foi trazida aos Barreiros, e que o Papa rezou diante dela.

Além disso o Papa, que sempre foi muito próximo dos jovens a quem sempre falou “como um pai que se dirigi aos filhos”, lembrou-lhes que “a força do amor conjugal depende da força do vosso esforço para aprender o verdadeiro amor”, recordou ainda o bispo emérito.

Com um pontificado marcado pelo tema da nova evangelização, São João Paulo II foi ainda um homem da cultura, procurou a dignificar a mulher, ajudou ao aparecimento de novas vocações, à construção de basílicas e de catedrais e graças a ele deram-se também passos importantes no campo do ecumenismo.

“O Papa era um homem de Deus, aberto a todo o bem, viesse de onde viesse”, assegurou ainda D. Teodoro de Faria que sublinhou ainda outras qualidades de São João Paulo II, como a sua preocupação com os outros e com a sua forma de vida. O tema central dos seus escritos é “a dignidade do homem e da mulher, a liberdade, a justiça, o respeito pela vida” e ainda “os temas da fé, da caridade, do diálogo e da oração”.

Era um homem “muito austero consigo mesmo”, cuja força “era a de acreditar em Deus e fazer acreditar em Deus”, que se recusava a “ficar no pessimismo e no desalento” e que sempre exortou os cristãos a não terem medo, lembrando que Jesus disse “eu estou convosco até ao fim do mundo”.

No final da celebração eucarística, o Pe. Silvano Gonçalves agradeceu a presença de todos, desde D. Nuno Brás a D. Teodoro, passando pelos representantes das diversas entidades, pelos fiéis e por D. António Carrilho que, lembrou, foi quem esteve à frente de todo o processo que culminou na vinda das relíquias do Papa João Paulo II para aquela igreja.

Um momento para o pároco do Atouguia dar ainda “graças a Deus pela vida, dom, ministério e santidade de São João Paulo II” e de lembrar que aquela celebração “não faria qualquer sentido se não saíssemos daqui com o desejo de sermos santos como ele”.

Uma nota final para o Coro de Câmara da Madeira, que solenizou e dignificou a celebração da Eucaristia.