Fundação AIS lança grande campanha de socorro aos Cristãos em África

Foto: AIS

Via Sacra sem fim

Milhares de pessoas em África vivem numa permanente Via Sacra. Têm fome, doenças, são perseguidas por serem cristãs, são vítimas de bandos armados, de grupos terroristas, de violência brutal. Crianças-soldado, mulheres violentadas, fome, doenças, miséria…. É urgente salvar vidas em África. A Fundação AIS pode contar consigo?

Quanto vale uma vida? O Bispo de Mbaïki, na República Centro-Africana, D. Jesús Molina, escreveu um pequeno livro para a Fundação AIS para esta Quaresma. O livro tem 14 textos apenas. São retratos do continente africano, do drama de milhões de pessoas, da angústia de mães que não conseguem alimentar os seus filhos, de crianças que foram raptadas e agora são soldados às ordens de bandos armados, de idosos que não têm lugar em nenhuma enfermaria. São 14 textos que revolvem a nossa consciência até às entranhas. Falam-nos da fome, da aventura que é para muitos, conseguir alguma comida nem que seja apenas uma vez por dia. O olhar de D. Jesús Molina recai sobre os inúmeros campos de refugiados onde estão milhares de pessoas desesperançadas e vê desespero e miséria. “Dentro e fora destes campos, há crianças com fome, jovens com fome, adultos com fome, idosos com fome. Roubam por causa da fome, matam por causa da fome. Que má conselheira é a fome! Quantos caem por causa dela!” Há muitas fomes em África. Há também a fome de paz. Basta pensar nas mulheres brutalizadas, “que sofrem a infâmia humana, a arma letal de todos os conflitos bélicos em África”, como escreve o Bispo de Mbaïki. “Violar mulheres e meninas para destruir o inimigo. Violar mães e adolescentes, rasgar esses corpos que deram vida; manchá-los com a morte… As mulheres tornaram-se o alvo da brutalidade dos homens armados sem piedade.” Há também a fome do amor na miséria que se abate sobre os rapazes que são tirados aos seus pais e que têm de carregar armas. Soldados ínfimos com os dedos no gatilho, meninos que nunca saberão o que é ser criança. Meninos que provavelmente nunca irão à escola. Que fardo irão suportar, que memórias e angústias irão arrastar para o resto das suas vidas as crianças que conseguirem sobreviver a estas guerras que estão a esquartejar o continente africano…

Mar de miséria

África vive uma Via Sacra permanente. É uma realidade que está espalhada por todo o lado, de norte a sul, rompendo fronteiras, grupos étnicos, línguas. De África chegam-nos todos os dias pedidos de ajuda. Na verdade, é bem mais do que isso. São pedidos de socorro de pessoas que estão a morrer, verdadeiros náufragos num mar de miséria, violência e perseguição. A urgência é enorme. A cada dia hora que passa, a cada dia, avoluma-se a tragédia. Não há tempo a perder. Está nas nossas mãos ajudar a Igreja, os padres, as irmãs, os catequistas, todos os que estão no terreno e procuram, às vezes desesperadamente, devolver a esperança a quem já só tem lágrimas. É connosco. É agora. D. Jesús Molina, no pequeno livro que escreveu para a Fundação AIS diz-nos, sem rodeios, que a vida vale pouco em África. Muito pouco. “Em quase todos os países da África subsariana, a esperança média de vida da população não chega aos 60 anos. No país onde vivo, a República Centro-Africana, é de uns escassos 50 anos. Morre-se antes do tempo e vive-se tão precariamente que muitas vezes me pergunto: será que há vida antes da morte? Como vale pouco a vida em África…” A campanha da Fundação AIS é, acima de tudo, um desafio a cada um de nós, um desafio às nossas consciências. É urgente salvar vidas em África. A Fundação AIS pode contar consigo?

Paulo Aido