O medo paralisa-nos

D.R.

Nos grandes acontecimentos da História ouvimos por diversas vezes “Não tenhas medo” ou frases similares. Foi na Anunciação do Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora, no anúncio do mesmo Arcanjo a Zacarias, Jesus censura os seus discípulos “Não tenhais medo, porque duvidaste?”. Deus não nos quer medrosos.

Estes tempos mais complexos revelaram que muitos católicos, sem se darem conta, estão assimilando uma cultura, uma forma de viver com resquícios de algum deísmo, corrente atual, muito enraizada na sociedade. Esta teoria tem uma visão de Deus, como aquele que está para lá dos limites naturais e desligado deles.

De facto, quando deixamos de fazer algo que deveríamos porque temos receio, há intrinsecamente uma falta de confiança em Deus, de abandono. Por exemplo, agora podemos assistir à Santa Missa, se não temos problemas de saúde que nos impeçam de ir porque não vamos? Medo de apanhar COVID? Não podemos estar em casa e ter um ataque cardíaco e falecer? Ter os cuidados devidos evidentemente, agora deixarmos que o medo tome conta das nossas vidas nem pensar!

Olhemos para Jesus pregado na Cruz, aqueles braços estirados em que os músculos salientes mostram o esforço que fez durante aquelas três longas horas, e aqueles pregos na palma da mão? Olhemos, não desviemos o olhar? E os pés? E o Seu lado aberto onde foi tudo derramado! Não resta nada nem mesmo nada. O Seu amor infinito obriga abrir o peito, não cabe num espaço físico limitado. Este Amor pode permitir algo que não nos é benéfico? 

O medo é algo muito humano, Jesus no Monte das Oliveiras suou sangue tal foi o seu pavor ao confrontar-Se com aquilo que Lhe iria acontecer, mas, confiou no Pai, entregou-se à Sua vontade e pediu aos três discípulos que o acompanhassem para que fossem testemunhas quer do seu sofrimento quer do modo como devemos superá-lo.

Não faz sentido, que um vírus, seja ocasião para não nos confessarmos e os senhores padres também estejam disponíveis para os seus fiéis. Entreguemos a Deus esses receios. Não pedimos a Deus, no Pai Nosso, “venha a nós o vosso reino”? Como pode vir se nós não fazemos o que está ao nosso alcance? Será que alguém pensa que vai para o outro mundo cheio de saúde? Se morremos de enfarte, de cancro, de covid ou de qualquer outra coisa que interessa? O importante não será fazer o que temos de fazer, em cada instante e confiar em Deus o futuro e, finalmente gozar da Sua presença para toda a eternidade?

Retomemos com urgência os sacramentos pois necessitamos deles mais que nunca! Deus espera-nos! Não tenhamos medo! O medo paralisa-nos.

Maria Guimarães